Publicado em: 18/03/2016 às 16:30hs
Ao mesmo tempo em que tenta fechar uma nova proposta para ajudar os produtores a se protegerem de oscilações de preços, o Ministério da Agricultura também trabalha na remodelação do zoneamento agrícola de risco climático, espécie de mapa que define todos os anos uma lista de quais municípios estão aptos para o plantio de determinadas culturas.
Regra atual - Como funciona atualmente, se por alguma razão técnica uma cidade ficar de fora desse zoneamento, seja pela probabilidade de um evento climático ocorrer uma estiagem prolongada ou chuva de granizo, por exemplo os produtores daquela localidade não podem contratar crédito rural em agências bancárias.
Impedimento - A simples exclusão de um município das portarias de zoneamento, publicadas todos os anos no "Diário Oficial da União", já impede automaticamente o banco de conceder financiamentos aos agricultores ali radicados.
Recomendação - Atualmente, esses zoneamentos recomendam os cultivos de lavouras apenas onde há riscos inferiores a 20% de perda de safra. Como explica Célio Porto, coordenador de Política Agrícola da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e ex-secretário do ministério, em tese esse modelo está sujeito a pressões políticas de prefeitos, muitos dos quais tentam reverter decisões técnicas para "proteger" suas cidades.
Percentuais - Para tentar mudar essa situação, a ideia da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura é acabar com o conceito de "municípios aptos para plantio" e passar a adotar percentuais de risco climático por cidade, segundo critérios de tipos de solo, sementes e de períodos de plantio. Dessa forma, o zoneamento poderá definir que o risco de seca em um determinado município é de 25%, enquanto em um outro é de 30%. Assim, a concessão de crédito ficaria a cargo do banco.
Projeto - Segundo André Nassar, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura que chama o novo modelo de RiscTec (Referencial Tecnológico de Riscos Agropecuários) , o objetivo é entregar um projeto com essas mudanças ainda este ano.
Consórcio - Para isso, promete estimular a criação de um consórcio de pesquisa em agrometeorologia formado pela Embrapa, universidades e institutos de pesquisa para que as previsões climáticas tenham cada vez mais precisão. A revisão dessa política também atende a recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU), que no passado já apontou diversas falhas em análises políticas do zoneamento.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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