PIB do agronegócio de Minas Gerais bate recorde e florestas plantadas ganham protagonismo na economia verde
Setor agropecuário alcança R$ 279 bilhões em 2025, representa 24,1% da economia mineira e reforça o potencial das florestas plantadas para atender à transição energética, recuperar áreas degradadas e impulsionar o desenvolvimento regional
Publicado em: 09/07/2026 às 10:30hs
O agronegócio de Minas Gerais alcançou um marco histórico em 2025 ao registrar um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 279 bilhões, consolidando sua participação em 24,1% da economia estadual. O resultado evidencia a força do setor no desenvolvimento econômico do estado e destaca o crescimento das florestas plantadas como uma atividade estratégica para atender às novas demandas da economia de baixo carbono.
A avaliação foi apresentada durante coletiva promovida pelo Sistema Faemg Senar para análise do estudo elaborado pela Fundação João Pinheiro. Na ocasião, a presidente executiva da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, ressaltou o papel cada vez mais relevante da cadeia florestal na expansão sustentável do agronegócio mineiro.
Florestas plantadas impulsionam desenvolvimento econômico em Minas Gerais
Presente em mais de 810 municípios, a produção florestal representa atualmente a maior cultura agrícola de Minas Gerais, ocupando cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas.
Segundo a AMIF, o setor reúne características que ampliam sua importância econômica, ambiental e social, contribuindo para a geração de empregos, abastecimento industrial e fortalecimento da economia regional.
A expectativa é que a atividade continue crescendo nos próximos anos, impulsionada pela substituição de matérias-primas fósseis por fontes renováveis de energia e insumos industriais.
Transição energética amplia demanda por madeira de reflorestamento
O avanço da transição energética vem transformando a madeira de florestas plantadas em um insumo cada vez mais estratégico para diversos segmentos industriais.
A utilização de biomassa florestal como alternativa aos combustíveis fósseis cresce de forma consistente, acompanhando os compromissos globais de redução das emissões de carbono e a busca por fontes renováveis de energia.
Além da geração de energia, a madeira abastece cadeias produtivas como siderurgia, papel e celulose, construção civil, móveis, painéis, embalagens e diversos outros setores da economia.
Mais de 3 milhões de hectares podem ampliar a produção sustentável
Outro fator que fortalece as perspectivas da atividade é a disponibilidade de áreas aptas à expansão sem necessidade de abertura de novas fronteiras agrícolas.
Minas Gerais possui mais de 3 milhões de hectares de áreas degradadas ou de baixa produtividade, que podem ser incorporadas a sistemas agrossilvipastoris, promovendo recuperação ambiental e aumento da produção de forma sustentável.
Segundo especialistas do setor, essa expansão pode representar uma importante oportunidade para pequenos e médios produtores, diversificando a renda no campo e ampliando a cobertura vegetal do estado.
Crescimento do etanol de milho aumenta necessidade de biomassa
A expansão da indústria de etanol de milho também surge como um importante vetor de crescimento para a cadeia florestal.
O processo industrial utiliza madeira proveniente de florestas plantadas como fonte de energia, elevando a demanda por biomassa renovável.
De acordo com a AMIF, o ritmo atual de expansão da produção de etanol supera a disponibilidade de madeira existente no país, criando oportunidades para novos investimentos em reflorestamento comercial e manejo sustentável.
Cadeia florestal movimentou cerca de R$ 20 bilhões em 2025
A importância econômica do segmento também se reflete na movimentação comercial registrada ao longo do ano.
Levantamento da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, analisado pela AMIF, mostra que a cadeia florestal movimentou aproximadamente R$ 20 bilhões em notas fiscais durante 2025, o equivalente a uma média de R$ 1,65 bilhão por mês.
Os dados evidenciam a diversidade da produção florestal mineira, envolvendo mais de 110 categorias de produtos, entre eles:
- carvão vegetal;
- lenha;
- madeira serrada;
- painéis de madeira;
- móveis;
- tábuas;
- palitos;
diversos produtos utilizados pela indústria e pelos consumidores.
Essa diversidade amplia a participação da cadeia florestal em diferentes segmentos da economia, agregando valor à produção e fortalecendo o mercado interno.
Norte de Minas lidera expansão da base florestal
As regiões do Norte de Minas, Jequitinhonha e Central Mineira concentram atualmente as maiores áreas de florestas plantadas e o maior volume de comercialização de produtos florestais do estado.
Além da geração de renda no campo, o setor contribui para a interiorização do desenvolvimento econômico, estimulando investimentos, fortalecendo cadeias industriais e ampliando o uso de matérias-primas renováveis.
Perspectivas para o setor florestal
Com o crescimento da demanda por biomassa, madeira industrial e produtos sustentáveis, especialistas avaliam que as florestas plantadas tendem a ganhar ainda mais relevância na economia brasileira.
A combinação entre expansão da base produtiva, recuperação de áreas degradadas, avanço da bioeconomia e fortalecimento da transição energética posiciona Minas Gerais como um dos principais polos nacionais da produção florestal, consolidando o setor como um importante motor de geração de riqueza, empregos e desenvolvimento sustentável no agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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