Mato Grosso completa 30 anos sem febre aftosa e reforça vigilância sobre o rebanho
Último foco da doença no estado ocorreu em 1996. Produtores e serviços de defesa sanitária mantêm a prevenção para proteger a pecuária e o acesso a mercados.
Publicado em: 28/09/2026 às 11:45hs
Mato Grosso completa, em 2026, três décadas sem registro de febre aftosa. O último foco da doença no estado ocorreu em 1996. Para o Sistema Famato, o marco reflete a atuação contínua dos pecuaristas e dos serviços de defesa agropecuária na prevenção e no monitoramento dos rebanhos.
A preservação desse histórico exige atenção diária nas propriedades. Altamente contagiosa, a febre aftosa afeta animais de casco fendido, como bovinos, bubalinos, suínos, ovinos e caprinos. Além dos danos à produção, um foco pode levar a restrições na movimentação e na comercialização de animais e produtos de origem animal.
“Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do país, e 30 anos é um marco que demonstra a importância do trabalho contínuo de todos os envolvidos na defesa sanitária, em especial o do produtor. Manter vigilância permanente é essencial para protegermos nossos animais e preservarmos a força e a competitividade da pecuária de Mato Grosso”, afirma o presidente da Famato, Vilmondes Tomain.
Status livre de febre aftosa sem vacinação exige prevenção
Mato Grosso suspendeu a vacinação contra a febre aftosa em 2023 e foi reconhecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em 2024, como livre da doença sem vacinação. Em 29 de maio de 2025, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) concedeu ao Brasil o reconhecimento internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação.
Com a suspensão da vacina, a vigilância permanece central para evitar a reintrodução do vírus. Segundo o assessor técnico em Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, os cuidados incluem observar os animais, controlar sua movimentação, manter os registros da propriedade e comunicar aos órgãos oficiais qualquer suspeita.
Nos bovinos, sinais como febre, falta de apetite, salivação excessiva e lesões na boca, no focinho, nos cascos ou nas tetas exigem atenção. A doença também pode causar perda de peso, queda na produção de leite e dificuldade de locomoção. Em animais jovens, problemas cardíacos podem levar à morte.
O Sistema Famato informa que acompanha os produtores nas questões de sanidade animal. Por meio do Senar MT, oferece capacitações em manejo do rebanho e Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).
Exportações mostram a importância da sanidade para a pecuária
A manutenção do status sanitário contribui para o acesso a mercados que impõem requisitos específicos à origem dos produtos de origem animal. Entre os exemplos citados pelo Sistema Famato está a abertura do mercado das Filipinas para carne bovina e suína com osso e miúdos de Mato Grosso.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram a dimensão desse comércio. De janeiro a agosto de 2026, Mato Grosso exportou 665,91 mil toneladas de carne bovina em equivalente carcaça, volume correspondente a 25,77% das exportações brasileiras, com receita de US$ 3,16 bilhões.
No mesmo período, as exportações estaduais de carne suína somaram 32,36 mil toneladas, ou 3,14% do volume brasileiro, e renderam US$ 66,68 milhões. Para as cadeias de proteína animal, preservar os padrões sanitários é uma condição contínua para sustentar a produção e o acesso aos compradores internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias