Publicado em: 20/03/2026 às 07:30hs
O Ministério da Agricultura e Pecuária autorizou os primeiros agroquímicos para uso na cultura da carinata no Brasil. As liberações foram oficializadas no final de 2025 e começaram a ser incorporadas recentemente às bulas comerciais dos produtos.
Entre os insumos aprovados estão o inseticida e acaricida Bitrin 100 EC, de ação por contato e ingestão, e o herbicida não seletivo Eliminate, indicado para dessecação.
A liberação dos produtos é considerada um avanço importante para o desenvolvimento da cultura no Brasil. Segundo Philipp Herbst Minarelli, a autorização representa um passo decisivo para consolidar o mercado da carinata.
De acordo com o especialista, o país já contava com o registro da cultura e da produção de sementes, restando a liberação de agroquímicos para completar a estrutura necessária à expansão da atividade.
A carinata tem sido cultivada principalmente durante a entressafra da soja, oferecendo uma alternativa produtiva aos agricultores. O óleo extraído da planta é utilizado na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), considerado estratégico para a transição energética.
A expectativa é que a liberação dos defensivos contribua para o aumento da área plantada e para a expansão da cultura em diferentes regiões do país.
A Nufarm lidera os investimentos na cadeia produtiva da carinata. A empresa detém a genética da planta e é a única no mundo a comercializar sementes híbridas da cultura.
A estratégia inclui expansão da área cultivada em países da América do Sul, como Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, com a meta de dobrar anualmente os hectares plantados.
Em 2025, a cultura registrou crescimento expressivo, com expansão de seis vezes em estados como Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Paraguai.
A projeção é de continuidade desse avanço, com crescimento consistente da área plantada nos próximos anos.
Outro fator que impulsiona o interesse pela cultura é a garantia de comercialização. Os produtores contam com contratos do tipo off-taker, que asseguram a compra da produção.
Nesse modelo, a BP é responsável pelo processamento dos grãos e pelo refino do óleo na Europa, direcionando o produto final para o mercado de biocombustíveis e SAF.
Com o avanço regulatório e o aumento da demanda por combustíveis sustentáveis, a carinata se posiciona como uma alternativa promissora dentro do agronegócio.
A combinação entre inovação tecnológica, garantia de mercado e expansão de área deve impulsionar o crescimento da cultura no Brasil e fortalecer sua participação na cadeia global de energia renovável.
Fonte: Portal do Agronegócio
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