Publicado em: 28/08/2025 às 11:35hs
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista ao Canal UOL que não tem planos de disputar a Presidência em 2026. Ele ressaltou o compromisso com a agenda econômica do governo Lula, destacando que a reforma da renda é prioridade para enfrentar a desigualdade no país.
“A reforma da renda é a cereja do bolo para tocar na ferida da desigualdade, algo que muitos governos tentaram, mas não conseguiram”, declarou Haddad.
Haddad defendeu a proposta de taxação de super-ricos, que prevê cobrança de 10% de imposto de renda para quem ganha mais de R$ 1 milhão por ano. Segundo ele, a medida recebeu elogios de economistas liberais e representa um avanço na arrecadação de quem hoje não contribui significativamente.
O ministro garantiu que há acordo no Congresso para manter a neutralidade fiscal e afirmou que o compromisso será cumprido.
“Ouvi do presidente Hugo Motta [da Câmara dos Deputados] que esse compromisso vai ser honrado”, disse.
Haddad rebateu críticas de setores que reclamam do peso do Estado, lembrando que no governo anterior fundos offshore, familiares e apostas esportivas ficaram anos sem pagar impostos. Ele também mencionou a votação de um corte linear de 10% dos benefícios fiscais infraconstitucionais, prevista para este ano.
Ao comentar o aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Haddad afirmou que o país tem condições de enfrentar a medida e reforçar os mecanismos de exportação.
“Ao taxar carne e café, você vai arranjar outra freguesia. Os EUA dependem de commodities baratas e tendem a perder espaço caso mantenham a posição belicosa”, disse.
O ministro também defendeu a aprovação ainda em 2025 do marco regulatório da mineração, citando interesses estratégicos dos EUA em minerais críticos.
Haddad comentou que a elite brasileira tende a se opor ao presidente Lula e apoiar candidatos conservadores. Ele mencionou declarações do governador Tarcísio de Freitas contrárias à taxação dos super-ricos como exemplo dessa resistência.
“Seria interessante saber o que pensam os presidenciáveis sobre a reforma da renda. Se não votar a favor ou contra, isso diz muito para a sociedade brasileira”, afirmou.
Apesar das previsões de disputa acirrada, o ministro se mostrou confiante no campo progressista:
“Hoje no Brasil, ganhar de 53% a 47% é um bom resultado. Temos condição de ter uma eleição minimamente civilizada em 2026”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
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