Publicado em: 12/02/2026 às 11:25hs
O governo brasileiro poderá discutir nesta quinta-feira (12) a criação de cotas por empresa para as exportações de carne bovina à China. A proposta, apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), visa organizar os embarques e evitar uma corrida desenfreada de vendas ao principal destino da proteína brasileira, diante das novas regras impostas por Pequim.
Em 2025, a China estabeleceu uma tarifa de 55% para as importações de carne bovina que ultrapassarem uma cota específica. Para 2026, o país concedeu ao Brasil uma cota livre de tarifa de 1,106 milhão de toneladas, com previsão de aumento de cerca de 2% nos dois anos seguintes.
O volume, porém, é menor que as exportações brasileiras registradas em 2025, quando o país embarcou mais de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina in natura para o mercado chinês. A diferença acendeu o alerta entre os frigoríficos e levou o governo a discutir mecanismos de controle para evitar desequilíbrios no setor.
De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, o ministério solicitou ao Comitê Executivo de Gestão (Gecex) — órgão vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex) — que avalie alternativas de controle de volume. A ideia é dividir as exportações de forma organizada entre os frigoríficos, evitando sobrecarga de embarques no início do período da cota.
“Já encaminhamos ao Gecex uma exposição de motivos com possíveis alternativas para evitar uma corrida desenfreada nos embarques. Estamos dialogando com o setor privado em busca de soluções que mantenham o equilíbrio do mercado”, explicou Rua em entrevista à Reuters.
O secretário afirmou que ainda não há confirmação se o tema será votado na reunião desta quinta-feira, mas destacou a importância de uma decisão rápida. “Quanto mais cedo houver clareza sobre o tema, melhor para o setor”, disse.
Rua destacou que a adoção de cotas por empresa não deve ser vista como interferência no mercado, mas como uma medida de organização. O Brasil já opera sob sistema semelhante nas exportações de carne de frango para a União Europeia, em que o volume total é distribuído entre exportadores conforme critérios técnicos e históricos de desempenho.
Segundo ele, a proposta não é uma resposta às salvaguardas chinesas, mas uma forma de o Brasil exercer a liberdade que o próprio governo chinês concedeu para estruturar suas exportações dentro da cota anual.
O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, afirmou que o setor apoia o diálogo entre os governos do Brasil e da China para tentar eliminar a tarifa extra aplicada fora da cota.
Entretanto, caso a tarifa seja mantida, a Abrafrigo defende que o volume livre de imposto seja dividido entre as empresas de acordo com o desempenho de exportação de 2025. Mustefaga ressaltou, contudo, que ainda não há consenso entre os exportadores sobre a forma de implementação da medida.
Outro ponto que segue sem definição é o destino das carnes que estavam em trânsito quando a China anunciou suas medidas de salvaguarda. Segundo Luis Rua, ainda não está claro se esses embarques serão contabilizados dentro da cota de 2026.
“Essa questão segue inconclusiva. O governo chinês ainda não respondeu oficialmente sobre se os volumes a caminho serão considerados dentro da cota”, explicou. Estimativas do setor privado indicam que cerca de 250 mil toneladas podem estar nessa situação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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