Publicado em: 22/01/2026 às 10:40hs
As exportações do agronegócio paulista para a União Europeia atingiram US$ 4,14 bilhões em 2025, o que representa 14,4% do total das vendas externas do setor. O bloco europeu manteve-se como o segundo principal destino dos produtos agrícolas de São Paulo, ficando atrás apenas da China, responsável por 23,9% dos embarques.
De acordo com dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), o desempenho reflete o fortalecimento das relações comerciais entre os blocos e projeta crescimento acima de 5% em 2026, impulsionado pela formalização do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
“O entendimento firmado entre os blocos cria oportunidades concretas para ampliar as exportações de produtos como café, carnes e frutas”, afirmou o secretário de Agricultura, Geraldo Melo Filho.
Os Países Baixos continuam sendo um ponto estratégico de entrada dos produtos paulistas na Europa, devido à sua infraestrutura portuária e papel logístico na redistribuição de mercadorias. Em 2025, mais de 1 milhão de toneladas de produtos foram exportadas para o país, movimentando cerca de US$ 1,3 bilhão.
Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), os principais produtos embarcados foram:
Esse desempenho contribuiu para o superávit recorde de US$ 23 bilhões da balança comercial do agronegócio paulista em 2025.
O Porto de Roterdã desempenha papel central na redistribuição de frutas brasileiras para países como Alemanha, Reino Unido, França e nações nórdicas.
Para Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go do Brasil, o mercado europeu é altamente exigente e valoriza produtos de qualidade, o que agrega valor ao produtor brasileiro.
Empresas e cooperativas paulistas aproveitam essa estrutura para ampliar sua presença internacional. Entre elas, destaca-se a Cooperativa Agroindustrial APPC, de Pilar do Sul (SP), que exporta variedades de caqui Fuyu e Rama Forte com certificações fitossanitárias e de sustentabilidade.
“Nos Países Baixos, nossa produção é distribuída para toda a Europa, ampliando o alcance das frutas e reforçando a presença da cooperativa no mercado internacional”, explicou Jéssica Bastos, do setor de exportação da APPC.
A expectativa de crescimento nas exportações paulistas está diretamente ligada à assinatura do acordo de livre comércio Mercosul–União Europeia, oficializado em 17 de janeiro de 2025, no Paraguai, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O pacto, aprovado em Bruxelas dias antes, promete reduzir tarifas e ampliar o acesso a mercados estratégicos, favorecendo produtos brasileiros de alto valor agregado.
Além do comércio, São Paulo e os Países Baixos mantêm uma parceria voltada à inovação tecnológica e sustentabilidade no agro. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento mantém diálogo permanente com o Consulado Geral holandês, buscando adaptação de tecnologias e soluções europeias às condições brasileiras.
“Muitas vezes, não é necessário criar algo do zero. Podemos adaptar tecnologias estrangeiras e obter resultados rápidos e eficientes”, destacou o secretário executivo da SAA, Alberto Amorim.
A conselheira agrícola da Embaixada dos Países Baixos, Inge Horstmeier, reforçou a importância estratégica do estado para o comércio europeu.
“São Paulo é essencial para o fornecimento de derivados de soja, frutas cítricas, açúcar, café e bioenergia. Nosso país valoriza padrões elevados de sustentabilidade e rastreabilidade, pilares também do agro paulista”, afirmou.
Fonte: Portal do Agronegócio
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