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Governo

Eleições 2026: ajuste fiscal e qualidade das reformas serão decisivos para reduzir juros, avalia economista

Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, aponta que o próximo governo precisará conter a dívida pública, preservar investimentos e melhorar a eficiência dos serviços essenciais


Publicado em: 06/10/2026 às 19:40hs

Eleições 2026: ajuste fiscal e qualidade das reformas serão decisivos para reduzir juros, avalia economista

O próximo presidente da República enfrentará um desafio que vai além da formação de uma maioria no Congresso: recuperar a confiança nas contas públicas sem comprometer investimentos e serviços essenciais. Na avaliação de Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, a capacidade de executar reformas consistentes será determinante para reduzir o custo de financiamento da economia e sustentar o crescimento nos próximos anos.

Em análise sobre as eleições de 2026, o economista argumenta que o alinhamento político entre Executivo e Legislativo pode facilitar a aprovação de medidas, mas não assegura resultados econômicos duradouros. A efetividade da agenda dependerá do conteúdo das reformas, da coerência fiscal e da capacidade de transformar propostas em ações.

Para Simioni, o primeiro ano do novo mandato será decisivo para demonstrar como o governo pretende enfrentar o crescimento das despesas obrigatórias, a pressão da dívida e a pouca margem para investimentos.

Maioria no Congresso facilita negociações, mas não garante reformas eficazes

A nova composição do Congresso poderá ampliar o espaço para discussões sobre reforma administrativa, revisão de benefícios fiscais, regras de controle de gastos, privatizações e ajustes na tributação.

O economista ressalta, entretanto, que uma base parlamentar ampla também pode aprovar medidas de alcance limitado ou favorecer a distribuição de benefícios setoriais, sem alterar os problemas estruturais das contas públicas.

Em sua avaliação, mudanças que preservam despesas pouco eficientes ou oferecem apenas alívio temporário aos mercados não substituem um planejamento fiscal sustentável.

O critério central, segundo Simioni, deve ser a capacidade das medidas de reduzir custos, elevar a produtividade e estabelecer uma trajetória plausível para o endividamento público.

Dívida e despesas obrigatórias restringem espaço para investimentos

A análise destaca que a expansão de despesas obrigatórias reduz a flexibilidade do orçamento. Quando o governo precisa ajustar as contas, a pressão tende a recair sobre os gastos que podem ser bloqueados com maior rapidez.

Nesse grupo estão investimentos em infraestrutura, ciência, tecnologia, modernização administrativa e parte do custeio dos serviços públicos.

Simioni alerta que concentrar o ajuste nessas áreas pode melhorar o resultado fiscal no curto prazo, mas enfraquecer a capacidade de crescimento da economia. Menos infraestrutura e inovação podem limitar a produtividade, dificultando a própria estabilização da dívida.

Por isso, o economista defende uma revisão da composição do gasto, com avaliação de programas, redução de benefícios ineficientes e preservação de investimentos com retorno econômico e social.

Credibilidade fiscal influencia juros, câmbio e crédito

Na avaliação de Simioni, a política fiscal terá influência direta sobre as condições para uma redução sustentável dos juros.

Quando os investidores percebem que a dívida continuará crescendo sem uma resposta suficiente do governo, passam a exigir uma remuneração maior para financiar o setor público. Esse prêmio de risco também afeta o custo de capital das empresas e as decisões de investimento.

Uma estratégia fiscal considerada viável pode diminuir essa incerteza e favorecer condições financeiras mais estáveis. O efeito, porém, depende da execução das medidas e da evolução da inflação.

O economista também pondera que a valorização do real não depende exclusivamente das expectativas políticas. Fluxos de capital, juros, preços das commodities e condições internacionais influenciam o câmbio e podem alterar o cenário.

Crescimento econômico é parte da solução para a dívida

Simioni destaca que a sustentabilidade fiscal depende da relação entre o custo da dívida, o crescimento da economia e o resultado das contas públicas antes do pagamento de juros.

Quanto maior a diferença entre os juros reais pagos pelo governo e a expansão do PIB, maior tende a ser o esforço necessário para estabilizar a dívida em proporção ao tamanho da economia.

Essa relação reforça a importância de políticas que estimulem produtividade, infraestrutura e qualificação profissional. Na análise do economista, reduzir despesas sem considerar seus efeitos sobre o crescimento pode gerar uma economia apenas aparente.

O objetivo deve ser criar condições para que o investimento privado avance e a arrecadação cresça de forma sustentável, reduzindo a dependência de medidas extraordinárias.

Saúde e educação precisam combinar financiamento e resultados

A discussão sobre eficiência do gasto também alcança saúde e educação. Simioni propõe avaliar mecanismos de financiamento que considerem características demográficas, diferenças regionais e custos dos serviços.

Na educação, o foco seria ampliar aprendizagem, alfabetização, permanência escolar e formação profissional. Na saúde, a prioridade incluiria prevenção, atenção primária, integração de informações e redução das filas de atendimento.

O economista defende que qualquer mudança nas regras de financiamento seja gradual, transparente e acompanhada de garantias mínimas de proteção aos serviços.

Ele também ressalta que vincular repasses a resultados exige cuidado. Municípios com menor infraestrutura ou falta de profissionais precisam de condições para melhorar o atendimento, para que a cobrança por desempenho não aprofunde desigualdades.

Segurança pública exige inteligência e coordenação

Na segurança, Simioni aponta a necessidade de integrar dados, fortalecer investigações e ampliar a cooperação entre União, estados e municípios.

Entre as prioridades sugeridas estão modernização da perícia, rastreamento de armas, investigação patrimonial e combate às fontes de financiamento das organizações criminosas.

A proposta é avaliar o retorno das iniciativas e evitar que a resposta se limite à expansão de despesas permanentes. Para o economista, tecnologia e coordenação podem ampliar a capacidade de atuação dos profissionais quando acompanhadas de gestão adequada.

Três cenários para a economia no próximo mandato

A análise apresenta três possibilidades, condicionadas à capacidade de negociação e execução do próximo governo.

No cenário favorável, reformas consistentes e uma estratégia fiscal confiável melhorariam o ambiente de negócios, reduziriam o risco e estimulariam investimentos.

No cenário intermediário, medidas graduais de contenção de despesas, sem mudanças profundas, manteriam um crescimento moderado e uma redução mais lenta das pressões sobre a dívida.

No cenário de risco, dificuldades políticas para ajustar as contas ampliariam a incerteza, com possíveis efeitos sobre o câmbio, a inflação e o custo do crédito.

Para Simioni, o resultado econômico dependerá menos da quantidade de propostas aprovadas e mais da capacidade de melhorar a aplicação dos recursos públicos. A agenda do próximo mandato precisará conectar responsabilidade fiscal, proteção social e produtividade para produzir efeitos duradouros sobre emprego, renda e investimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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