Governo

Armando Monteiro defende criação de agência de crédito para exportação

Para o ministro, país exporta pouco considerando os padrões internacionais. Segundo Monteiro, câmbio representa uma 'janela de oportunidades'.


Publicado em: 15/12/2015 às 16:15hs

Armando Monteiro defende criação de agência de crédito para exportação

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, defendeu na última quinta-feira (10), durante evento em São Paulo, a implantação de uma agência de crédito especializada em exportação.

Ele defendeu a integração do Brasil a redes de acordo internacionais, mudanças na rede tarifária com as cadeias globais, maior competitividade em bens finais e condições de importar insumos.

"A agenda é muito desafiadora. É necessária uma agência de crédito especializada em exportação. O Brasil tem um grau de introversão muito grande, um mercado doméstico importante, mas o Brasil exporta 10% do PIB, muito pouco levando em conta os padrões internacionais", disse. Para ele, o país precisa evoluir em vários ambientes, como superar os problemas de infraestrutura.

Segundo ele, o câmbio representa uma janela de oportunidades porque o Brasil viveu um longo período de forte depreciação cambial. "Se levar em conta os custos sistêmicos da logística exportadora e o sistema tributário disfuncional e a inexistência de um padrão de financiamento adequado, esses problemas sistêmicos não podem ser resolvidos num espaço de tempo curto.

Essa elevação serve pra mitigar essas desvantagens que acumulamos ao longo do tempo, mas não é o caminho que vai nos dar sustentabilidade ao longo do tempo", afirmou.

Comércio exterior

Para o ministro, quem exporta é que é competitivo. "O grande escrutínio se dá na exportação". Segundo ele, o mercado americano é o principal destinos dos manufaturados brasileiros e "é preciso esse foco prioritário".

"Mas não temos perspectiva de livre acordo com os EUA. Hoje a principal barreira para o comércio com os EUA é a falta de padronização de normas técnicas com os norte-americanos."

Armando disse que há em andamento um acordo de harmonização de normas entre os dois países, com a assinatura do "quadro de convergência regulatória". O ministro afirmou ainda que o acordo de complementação de comércio com o México é muito limitado e, por isso, o Brasil propôs uma ampliação dele.

"Faremos uma oferta para o México, temos perspectiva de multiplicar por 8 o universo de produtos de cobertura tarifária para termos um comércio bastante desagravado do seu conjunto com o México", disse.

Para o ministro, não é aceitável a baixa integração com os países da baixa bacia do Pacífico, como Venezuela e Colômbia. Monteiro citou a importância da retomada dos acordos da desagravação tarifária com o Peru, Colômbia e Chile e ressaltou a importância da negociação entre Mercosul e União Europeia.

O ministro disse que o movimento de internacionalização das empresas é importante do ponto de vista do comércio exterior. Os principais acordos foram feitos com México, Chile e Colômbia

Para ele, as perspectivas com o novo presidente da Argentina são muito positivas. "Ele tem posição pró-comércio, as medidas restritivas tomadas anteriormente serão suspensas. Para ele, a ligação com o Brasil tem caráter estratégico. Tem postura mais aberta e mais liberal com o comércio", afirmou.

Setor automotivo

Armando citou que na área automotiva o acordo feito país a país faz com que o Brasil termine o ano com saldo positivo. Ele informou que as exportações para o México serão aumentadas em 70%. Outro acordo feito com a Colômbia deve ser feito para aumentar o índice atual de 2% dos veículos exportados por meio de cotas de exportação. E na quarta-feira foi feito acordo com o Uruguai.

Cenário político

De acordo com Monteiro, o Brasil vive um período de grande turbulência política. "O fato é que o Brasil tem o desafio de promover um ajuste fiscal e buscar o equilíbrio macroeconômico. Mas o ajuste fiscal não pode ter efeito paralisante sobre iniciativas do canal de exportação com o comércio exterior", disse.

Para ele, há necessidade de reformas microeconômicas para melhoria do ambiente regulatório com a simplificação de tributos como reforma do PIS/Cofins e do ICMS.

"Espero que esse impasse possa ser resolvido no prazo mais curto possível. Temos muitos desafios pela frente, mas há questões que precisam ser revolvidas para que a economia não venha a sofrer um processo de degradação".

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