Governo

Agro paulista alcança retorno de R$ 19,5 para cada R$ 1 investido em pesquisa científica

Unidades de pesquisa da Apta aplicam R$ 1,15 bilhão em PD&I e geram R$ 22,5 bilhões em impacto econômico, social e ambiental para o agronegócio paulista


Publicado em: 03/03/2026 às 16:00hs

Agro paulista alcança retorno de R$ 19,5 para cada R$ 1 investido em pesquisa científica
Investimentos em pesquisa do agro paulista geram grandes retornos

As sete unidades de pesquisa vinculadas à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), responsável por coordenar as atividades científicas da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, aplicaram R$ 1,15 bilhão em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no triênio 2022-2024.

De acordo com a Apta, os recursos investidos resultaram em R$ 22,5 bilhões em benefícios econômicos, sociais e ambientais — ou seja, para cada R$ 1 investido, o retorno foi de R$ 19,5.

Áreas de pesquisa abrangem genética, clima e processamento de alimentos

As ações científicas coordenadas pela Apta abrangem desde o desenvolvimento de material genético mais produtivo e resistente a pragas e variações climáticas, até aprimoramentos no processamento de alimentos, com foco em segurança nutricional.

Segundo o balanço social da agência, 49 tecnologias foram avaliadas no período, das quais 3 em cada 4 apresentaram impacto social e 2 em cada 3 tiveram impacto ambiental positivo.

Participação privada cresce e parcerias impulsionam o setor

Ao longo dos anos, a participação da iniciativa privada no financiamento de pesquisas vem crescendo. No triênio mais recente, 43% dos recursos vieram da iniciativa privada, contra apenas 15% em 2010. Em contrapartida, a participação do Estado caiu de 76% para 56% no mesmo intervalo.

Desse total investido, 85% foram destinados a recursos humanos, reforçando o papel de técnicos e pesquisadores no avanço das atividades científicas.

Esse movimento reflete o fortalecimento das parcerias público-privadas (PPPs) e a transferência de tecnologias geradas nas unidades de pesquisa como o Instituto Agronômico, o Instituto Biológico, o Instituto de Tecnologia de Alimentos e o Instituto de Economia Agrícola.

Crescimento de captação de recursos é maior que o aumento de investimentos

O relatório da Apta mostra que, apesar de a captação de recursos ter crescido 12,5% ao ano, o total aplicado em PD&I aumentou apenas 4,6% ao ano, passando de R$ 239,7 milhões em 2010 para cerca de R$ 384,1 milhões no triênio 2022-24.

Esse descompasso, segundo o documento, se deve à estagnação do aporte público estadual, que cresceu apenas 20% em 14 anos, de R$ 182,3 milhões em 2010 para uma média de R$ 219,7 milhões no período mais recente.

Redução de pessoal técnico reflete desafios na pesquisa pública

O relatório também aponta que a redução no quadro de servidores das unidades de pesquisa impactou a capacidade de produção científica. Em 2010, a Apta contava com 2.404 pesquisadores e técnicos de apoio, número que caiu para 1.153 em 2024.

No triênio 2022-24, os recursos aplicados em PD&I representaram 0,27% do Valor da Produção Agropecuária (VPA) de São Paulo, que alcançou R$ 1,14 trilhão, bem abaixo da referência nacional, cuja média de aplicação em pesquisa varia em torno de 1,19% do PIB nos anos de 2022 e 2023.

Impacto de tecnologias desenvolvidas segue em crescimento

Desde 2010, a Apta realiza balanços sociais para acompanhar os efeitos das tecnologias geradas em suas unidades de pesquisa. Os indicadores têm apresentado crescimento, reforçando a importância da pesquisa científica para o agronegócio paulista e brasileiro.

Cenários globais para açúcar apontam oferta elevada

A safra mundial de açúcar 2025/26 (de outubro a setembro) deve registrar um excedente de produção, segundo Lívea Coda, coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.

A expectativa é de oferta superior à demanda, em função de safras acima do esperado no Brasil e recuperação de produção em países como Índia, Tailândia, México, China, Guatemala e Estados Unidos.

Esse cenário pode pressionar os preços para baixo no curto prazo.

No longo prazo, os principais fatores a serem observados no setor são os investimentos em etanol de milho, a demanda por combustíveis e o comportamento da demanda por açúcar.

Riscos à frente incluem fatores climáticos e decisões políticas

Além dos riscos geopolíticos relacionados aos mercados energéticos, fatores como tarifas governamentais e eventos climáticos — em especial a possível formação do El Niño — podem influenciar o desempenho do setor de açúcar e seus preços, alerta a coordenadora de mercado.

Mercado de café reage e perspectivas melhoram

No mercado de café, os preços sofreram forte queda ao longo do ano. O foco dos participantes do setor mudou da safra 2025 para 2026, com expectativas de maior oferta de café arábica no próximo ciclo produtivo.

De acordo com Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, a melhora nas condições climáticas — com chuvas mais regulares e temperaturas menos extremas — favorece o desenvolvimento das lavouras e facilita as negociações.

Além disso, a redução das barreiras tarifárias em mercados importantes, como nos Estados Unidos, e a expansão para novos mercados, especialmente na Ásia, contribuem para sustentar a demanda por café.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --