Publicado em: 15/04/2026 às 11:15hs
A agropecuária brasileira vive um cenário de instabilidade marcado por custos elevados, desvalorização de commodities e encarecimento do crédito, fatores que têm ampliado o endividamento dos produtores rurais. Diante desse quadro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou o diálogo com o governo federal em busca de medidas emergenciais para o setor.
A bancada, composta por 341 parlamentares, recebeu o novo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, em reunião realizada nesta terça-feira (14), quando apresentou uma série de propostas consideradas prioritárias.
Entre as medidas defendidas pela FPA está o Projeto de Lei 5.122/2023, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), que prevê a criação de uma linha de crédito específica para repactuação de dívidas rurais, utilizando recursos do Fundo Social.
A proposta tramita na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal e tem como relator o senador Renan Calheiros (MDB-AL).
Na última semana, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) articulou reunião com o Ministério da Fazenda e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir o avanço do projeto.
Apesar da previsão de cerca de R$ 30 bilhões em recursos, parlamentares avaliam que o montante é insuficiente diante do atual nível de endividamento no campo.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), destacou a necessidade de apoio institucional do governo para dar celeridade à proposta.
Segundo ele, o volume de recursos previsto no projeto não cobre a dimensão da crise enfrentada pelos produtores rurais, reforçando a urgência de novas soluções estruturais.
Durante o encontro, a FPA entregou ao Ministério da Agricultura um conjunto de pleitos que envolvem desde crédito rural até regulamentações e políticas públicas. Entre os principais pontos estão:
Revisão de normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) que restringem crédito com base no PRODES;
O ministro André de Paula afirmou estar aberto a fortalecer o diálogo com a FPA e acenou positivamente para a realização de reuniões periódicas com a bancada.
A sugestão foi apresentada pela ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que destacou a importância da articulação entre Executivo e Legislativo para enfrentar os desafios do setor.
Durante a reunião, deputados e senadores reforçaram a gravidade da situação no campo e a necessidade de medidas imediatas.
O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) destacou a urgência na implementação do Código Florestal e criticou restrições de crédito vinculadas ao PRODES.
Já o deputado Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou que produtores enfrentam condições adversas e precisam de apoio para manter suas atividades.
A deputada Marussa Boldrin (MDB-GO) ressaltou a necessidade de atenção aos produtores endividados, enquanto o deputado Pezenti (MDB-SC) defendeu o fortalecimento do seguro rural.
Parlamentares também alertaram para o risco de comprometimento da próxima safra diante do alto custo do financiamento.
O deputado Fabio Garcia (União-MT) destacou a importância de um Plano Safra com volume adequado de recursos e juros mais baixos.
Já o deputado Pedro Westphalen (PP-RS) afirmou que diversos segmentos, com exceção do café, enfrentam dificuldades para viabilizar a produção.
O senador Irajá (PSD-TO) defendeu a tramitação do Projeto de Lei 320/2025, voltado à securitização das dívidas rurais, comparado a um “Refis do campo”.
Além disso, o deputado Tião Medeiros (PP-PR) cobrou maior participação da agropecuária no orçamento público, proporcional à relevância do setor para a economia brasileira.
A deputada Ana Paula Leão (PP-MG) chamou atenção para a situação de cadeias produtivas como leite, banana, cebola, morango e alho, que enfrentam desafios crescentes.
Segundo ela, o setor leiteiro, em especial, atravessa um momento crítico, exigindo ações específicas para garantir a sustentabilidade da atividade.
Diante do cenário, a avaliação predominante entre parlamentares e representantes do setor é de que soluções pontuais não serão suficientes.
A defesa é por medidas estruturais que envolvam crédito acessível, segurança jurídica, políticas públicas consistentes e maior integração entre governo e setor produtivo, com o objetivo de garantir a continuidade da produção e a sustentabilidade da agropecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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