Publicado em: 31/05/2024 às 10:00hs
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) divulgou a Portaria nº 129/24, estabelecendo novos procedimentos para a entrada de máquinas e implementos agrícolas no estado. Segundo a norma, o ingresso desses equipamentos só será permitido se estiverem completamente limpos, livres de solo e resíduos vegetais em todas as suas partes internas e externas.
Entre as principais ameaças destacadas pela Adapar está a planta daninha Amaranthus palmeri, presente no Brasil desde 2015, mas ainda não registrada no Paraná. Esta planta possui um elevado potencial reprodutivo, capaz de gerar entre 100 mil e 1 milhão de sementes por planta, e seu controle inadequado pode inviabilizar a colheita, elevando os custos com herbicidas e causando sérios prejuízos para a agricultura local.
“Essa espécie é extremamente competitiva e pode reduzir a produtividade de culturas como soja, milho e algodão em até 80% a 90% nas áreas afetadas,” explicou Renato Rezende Young Blood, chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar. No documento Hierarquização de Pragas de Maior Risco Fitossanitário do Brasil, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Amaranthus palmeri é classificada como a praga de maior risco fitossanitário.
O movimento de máquinas e implementos agrícolas com solo aderido ou resíduos vegetais é uma das principais formas de disseminação de plantas daninhas resistentes a herbicidas no Brasil. Supõe-se que a infestação de Amaranthus palmeri tenha ocorrido pelo transporte de sementes em colheitadeiras provenientes da Argentina.
Juliano Farinazzo Galhardo, chefe da Divisão de Certificação, Rastreabilidade e Epidemiologia Vegetal da Adapar, destacou o aumento no número de prestadores de serviços de colheita nos últimos anos. “Muitos produtores venderam suas propriedades para investir em colheitadeiras modernas e se especializaram na prestação de serviços de colheita, o que aumentou o trânsito interestadual de máquinas agrícolas e, consequentemente, o risco de introdução de pragas como a Amaranthus palmeri.”
Além disso, a diferença nos períodos de colheita entre os estados permite que os prestadores de serviços de colheita migrem de um estado para outro conforme as safras progridem, retornando ao estado de origem para a próxima safra. O mesmo ocorre com produtores que possuem propriedades em diferentes estados e utilizam as mesmas máquinas para a colheita. Esses fatores têm contribuído para o aumento do trânsito interestadual de máquinas, elevando o risco de introdução de pragas no Paraná.
Desde fevereiro do ano passado, o Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar implementa um plano de ação após a detecção de Amaranthus palmeri em propriedades no Mato Grosso do Sul. Este plano visa proteger a agricultura paranaense e prevenir a introdução de diversas pragas, incluindo fungos, vírus, bactérias e nematoides.
A Adapar opera mais de 30 Postos de Fiscalização do Trânsito Agropecuário nas divisas com Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina, onde a inspeção das máquinas e implementos agrícolas será intensificada para garantir a conformidade com a Portaria 129/24.
“Os produtores rurais que recebem máquinas de outros estados desempenham um papel crucial, exigindo que os equipamentos cheguem limpos, sem solo ou resíduos vegetais. Isso é essencial para prevenir pragas que podem causar grandes prejuízos e desvalorizar suas terras,” concluiu Renato Rezende Young Blood.
Fonte: Portal do Agronegócio
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