Publicado em: 21/01/2026 às 10:20hs
O crédito rural movimentou R$ 187,02 bilhões nos primeiros seis meses da safra 2025/2026 (julho a dezembro de 2025), segundo levantamento da Gerência de Desenvolvimento Técnico da Ocepar (Getec) em parceria com a consultoria Fator Agro, com base em dados do Banco Central do Brasil.
O valor representa uma queda de 15,1% em relação ao mesmo período da safra passada, quando o volume repassado alcançou R$ 220,38 bilhões. Para o atual ciclo agrícola, o Plano Safra 2025/26 disponibilizou R$ 594,4 bilhões para financiamentos.
A redução no volume contratado reflete a tendência de desaceleração no crédito rural observada nos últimos anos.
De acordo com o analista de mercado da Getec, Salatiel Turra, o recuo é consequência direta do aumento das taxas de juros, influenciado pela elevação da taxa Selic.
“A evolução do crédito rural mostra uma retração gradual nas contratações, resultado do custo financeiro mais alto e da cautela dos produtores”, destaca Turra.
Nos ciclos anteriores, o total contratado foi de R$ 415,46 bilhões na safra 2023/24 e R$ 377,99 bilhões em 2024/25, reforçando o cenário de menor expansão.
Entre as fontes de recursos do Plano Safra 2025/26, os Recursos Livres se mantiveram como o principal canal de crédito, representando 36% do total contratado até dezembro.
Em seguida, aparecem:
A diversificação das origens do crédito mostra uma dependência menor dos recursos controlados e um movimento crescente em direção ao mercado privado e às LCAs, instrumento que vem ganhando espaço no agronegócio.
As cooperativas agropecuárias seguem com papel de destaque no financiamento do setor.
Nos seis primeiros meses da safra 2025/26, elas contrataram R$ 26,47 bilhões em crédito rural.
Desse total, as cooperativas paranaenses responderam por aproximadamente 29% (R$ 7,63 bilhões), consolidando o Paraná como um dos estados mais relevantes na distribuição de crédito ao agronegócio brasileiro.
Mesmo com a redução no volume contratado até o momento, a expectativa é de que o ritmo de contratações aumente no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo início do plantio de milho e pela retomada das operações de custeio e investimento.
A disponibilidade de recursos e as condições de juros continuarão determinantes para a expansão do crédito, especialmente diante da possível revisão da Selic e da volatilidade no mercado internacional de commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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