Crédito rural soma R$ 107,1 bilhões na safra 2026/27; CPRs respondem por quase metade dos recursos
Financiamento da agricultura empresarial entre julho e setembro inclui R$ 50,3 bilhões em Cédulas de Produto Rural e R$ 36,4 bilhões em custeio; investimentos alcançam R$ 7,4 bilhões
Publicado em: 14/10/2026 às 10:30hs
O crédito rural destinado à agricultura empresarial alcançou R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/2027, entre julho e setembro de 2026. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 50,3 bilhões, equivalentes a 46,9% do total, consolidando a participação desse instrumento no financiamento da atividade agropecuária.
O levantamento abrange operações contratadas por produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), pelos demais produtores rurais da agricultura empresarial e os recursos captados por meio de CPRs.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, e nas registradoras de CPR B3, CERC e CRDC.
CPRs concentram R$ 50,3 bilhões no financiamento da produção
Com quase metade dos recursos contabilizados no trimestre, as CPRs tiveram participação expressiva na estrutura de financiamento da agricultura empresarial.
O instrumento permite antecipar recursos vinculados à produção agropecuária, com liquidação por entrega física do produto ou pagamento financeiro, conforme as condições do título.
Além das CPRs, o custeio convencional somou R$ 36,4 bilhões, correspondentes a aproximadamente 34% do total. Essa modalidade financia despesas do ciclo produtivo, como aquisição de insumos e execução das atividades necessárias à produção.
Na distribuição do custeio por categoria, os demais produtores empresariais contrataram cerca de R$ 20 bilhões, com participação de 54,8%. Os produtores enquadrados no Pronamp responderam por aproximadamente R$ 16,5 bilhões, ou 45,2%.
Comercialização e industrialização movimentam R$ 13 bilhões
As operações destinadas à comercialização da produção agropecuária alcançaram R$ 8 bilhões entre julho e setembro.
Já o crédito para industrialização somou R$ 5 bilhões. Essa modalidade apoia o processamento e a agregação de valor aos produtos agropecuários.
Em conjunto, as duas finalidades movimentaram R$ 13 bilhões nos primeiros três meses da safra, complementando os recursos destinados ao custeio e aos investimentos.
Investimentos no campo chegam a R$ 7,4 bilhões
As contratações para investimento totalizaram R$ 7,4 bilhões no trimestre. Os recursos atendem projetos de aquisição de máquinas e equipamentos, implantação de irrigação e modernização das estruturas produtivas.
Entre os programas específicos, o Pronamp Investimento registrou R$ 1,019 bilhão, enquanto o RenovAgro alcançou R$ 845 milhões.
Como o levantamento contempla apenas o início da safra 2026/27, o volume contratado ainda representa uma etapa inicial da execução da programação anual. Novas operações poderão ampliar esses valores ao longo do ciclo, conforme as contratações realizadas pelas instituições financeiras.
Pronamp registra R$ 17,6 bilhões em operações
Na segmentação por porte, os produtores enquadrados no Pronamp contrataram R$ 17,6 bilhões, equivalentes a 16,4% do montante total, que inclui as CPRs.
O grupo de demais produtores rurais, fora do Pronamp, respondeu por R$ 39,3 bilhões, ou 36,7% do total. A parcela restante corresponde aos recursos contabilizados por meio das Cédulas de Produto Rural.
Ao todo, o levantamento registrou 116.274 contratos, dos quais 36.638 operações de CPR.
Sul lidera crédito regional; Centro-Oeste tem maior valor médio por contrato
No recorte regional apresentado pelo levantamento, a região Sul concentrou R$ 18,6 bilhões e 36.089 contratos, liderando em volume financeiro e número de operações.
O Sudeste aparece na sequência, com R$ 17,8 bilhões, seguido pelo Centro-Oeste, com R$ 12,7 bilhões. Nordeste e Norte registraram, respectivamente, R$ 4,9 bilhões e R$ 2,8 bilhões.
Os valores regionais apresentados não abrangem a totalidade dos R$ 107,1 bilhões contabilizados no levantamento geral, que também incorpora as CPRs.
O Centro-Oeste registrou o maior tíquete médio, de R$ 1,07 milhão por contrato. No Nordeste, a média foi de R$ 960 mil, resultado associado, em parte, às contratações na Bahia, no Maranhão e no Piauí, estados integrantes do Matopiba.
Apesar da liderança em volume e quantidade de contratos, o Sul apresentou o menor valor médio por operação, de R$ 515,1 mil, indicando maior pulverização do crédito.
Recursos obrigatórios e LCA estão entre as principais fontes
Entre as fontes controladas, os Recursos Obrigatórios somaram R$ 13,5 bilhões, correspondentes a 32% desse grupo. Esses recursos derivam da parcela dos depósitos à vista que as instituições financeiras devem direcionar ao crédito rural.
A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), na modalidade controlada, registrou R$ 12,4 bilhões, com participação de 30%.
Nas fontes não controladas, a LCA Livre foi o principal destaque, com R$ 12,2 bilhões destinados ao financiamento rural.
Crédito equalizável alcança R$ 20,4 bilhões no trimestre
A programação de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 é de R$ 97,6 bilhões, segundo as informações divulgadas pelo Mapa. Nos primeiros três meses do ciclo, foram concedidos R$ 20,4 bilhões, aproximadamente 20,9% do valor programado.
Nessas linhas, recursos do Tesouro Nacional cobrem a diferença entre os encargos previstos nas operações e os custos considerados na equalização, permitindo a oferta de financiamento nas condições estabelecidas para os programas.
Entre os investimentos equalizáveis, o Pronamp liderou as concessões, com R$ 942,3 milhões. Em seguida aparecem o RenovAgro, com R$ 841,4 milhões, e o Moderfrota, com R$ 639,9 milhões.
Esses valores correspondem especificamente às operações equalizáveis e, por isso, diferem dos totais gerais contratados em cada programa.
BNDES e Banco do Brasil concentram investimentos equalizáveis
O BNDES e o Banco do Brasil responderam, juntos, por cerca de 73% das concessões de investimento equalizável no trimestre. As participações foram de 39,4% e 33,9%, respectivamente.
Nas linhas de custeio equalizável, o Banco do Brasil concentrou 43,7% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 15,8%, e pela Cresol, com 10,5%.
Os resultados dos primeiros meses da safra mostram a presença de diferentes canais de financiamento no campo, com destaque para as CPRs, o crédito de custeio e as linhas que contam com equalização federal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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