Publicado em: 31/03/2026 às 12:30hs
Apesar do Plano Safra 2025/26 prever R$ 186,1 bilhões em crédito rural, dados do Sistema de Operações do Crédito Rural (Sicor) do Banco Central indicam que, no primeiro semestre, o volume liberado ficou 15,6% menor que no mesmo período da safra anterior. Parte relevante desses recursos ainda não chegou aos bancos conforme a expectativa, refletindo um processo de concessão mais técnico e seletivo.
O acesso ao crédito rural deixou de depender exclusivamente da relação entre produtor e gerente de banco. Hoje, o processo envolve:
Em muitos casos, a decisão de liberar crédito ocorre antes mesmo de avançar nas etapas tradicionais, tornando o processo menos previsível para produtores despreparados.
Segundo Rayssa de Melo, cofundadora da Agree, os bancos estão mais atentos ao risco devido ao recorde histórico de inadimplência no agronegócio. Modelos internos de risco, filtros e comitês passaram a tomar decisões mais rigorosas, exigindo maior preparo do produtor para obter recursos.
“Existe a percepção de que o recurso não chegou aos bancos, e isso é real. Mas o processo está muito mais técnico e seletivo do que antes”, afirma Rayssa.
O cenário atual reflete um novo equilíbrio no crédito rural:
O resultado é um crédito menos relacional e altamente dependente da qualidade das informações apresentadas pelo agricultor.
Assim como decisões de plantio, manejo e colheita exigem planejamento técnico, o crédito também demanda estratégia e suporte especializado.
“O produtor entende a importância do apoio técnico na lavoura, mas ainda trata o crédito como uma decisão individual. Compreender os critérios do sistema financeiro e contar com assessoria especializada faz parte do planejamento do negócio”, conclui Rayssa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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