Publicado em: 14/04/2026 às 10:40hs
O crédito rural empresarial manteve trajetória de crescimento no Plano Safra 2025/2026, alcançando R$ 404 bilhões em contratações entre julho de 2025 e março de 2026. O volume representa avanço de 10% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando foram registrados R$ 368 bilhões, conforme dados do Boletim do Crédito Rural elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (Defin).
Já os recursos efetivamente concedidos, ou seja, aqueles liberados diretamente aos produtores, somaram R$ 387 bilhões, crescimento de 5% na comparação anual.
O principal destaque do período foi a forte expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR), que cresceram 38%, atingindo R$ 183,1 bilhões. Como esse instrumento é majoritariamente voltado ao custeio da produção, sua combinação com o crédito tradicional eleva significativamente os recursos disponíveis para essa finalidade.
Somando CPR e custeio convencional, o volume destinado ao financiamento da safra chegou a R$ 303,1 bilhões, alta de 13% em relação ao ciclo anterior.
O desempenho reforça a relevância da CPR como ferramenta estratégica de financiamento no agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de maior seletividade no crédito.
A análise por finalidade mostra comportamentos distintos entre as linhas de crédito. A industrialização foi o segmento de maior crescimento, com alta de 74% nas contratações, totalizando R$ 28,1 bilhões, e avanço de 64% nas concessões, que chegaram a R$ 26,4 bilhões.
Por outro lado, as linhas tradicionais apresentaram retração:
A redução na demanda por investimento reflete a cautela dos produtores diante do atual cenário de juros elevados, mesmo com expectativa de queda da taxa básica ao longo dos próximos meses.
O total de contratos firmados no período apresentou queda de 24%, passando de 534.351 para 408.353 operações. O movimento indica maior seletividade tanto por parte dos produtores quanto das instituições financeiras.
Na segmentação:
Regionalmente, o Sul lidera em número de operações, enquanto o Sudeste concentra os maiores volumes financeiros.
As fontes controladas de crédito rural totalizaram R$ 106,5 bilhões em concessões, com leve retração de 7%. Entre os destaques:
Já as fontes não controladas totalizaram R$ 97,3 bilhões, com destaque para:
Até março de 2026, foram executados 38% dos recursos equalizáveis previstos no Plano Safra 2025/2026. Do total de R$ 113,4 bilhões programados, R$ 43,4 bilhões já foram concedidos.
Por modalidade:
Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera a execução, seguido por cooperativas como Sicoob e Cresol, que apresentam elevado nível de cumprimento das metas, especialmente no custeio.
O boletim aponta que ainda há R$ 21,7 bilhões em crédito contratado, mas não liberado aos produtores. Desse total:
Esse montante representa potencial de liquidez adicional para o setor nos próximos meses.
O desempenho do crédito rural no período evidencia um setor resiliente, com expansão no volume global de recursos, impulsionada principalmente pelas CPRs e pelo avanço da agroindustrialização.
Por outro lado, a retração nas linhas tradicionais de custeio e investimento reforça a cautela dos produtores diante do ambiente de juros elevados.
Com 62% dos recursos equalizáveis ainda disponíveis, o Plano Safra 2025/2026 apresenta espaço significativo para novas contratações, o que pode sustentar o financiamento do agronegócio ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias