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Crédito Rural

Crédito rural em Goiás cai 43,2% e registra segundo menor volume em oito anos

Liberações somaram R$ 4,99 bilhões entre junho e agosto de 2026; custeio e agricultura concentraram as maiores retrações, enquanto os principais municípios produtores também perderam recursos.


Publicado em: 06/10/2026 às 10:10hs

Crédito rural em Goiás cai 43,2% e registra segundo menor volume em oito anos

A liberação de crédito rural em Goiás caiu 43,2% entre junho e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O volume passou de R$ 8,79 bilhões para R$ 4,99 bilhões, segundo levantamento apresentado com base em dados do Banco Central.

O resultado é o segundo menor para o intervalo de junho a agosto nos últimos oito anos, acima apenas dos R$ 4,61 bilhões registrados em 2019. Entre os dez estados que mais receberam crédito rural no período, Goiás apresentou a maior queda percentual.

A retração atingiu tanto a agricultura quanto a pecuária, com impacto mais intenso sobre os recursos destinados ao custeio, utilizados para financiar despesas da produção.

Liberação de crédito rural também recua no Brasil

No país, as liberações totalizaram R$ 85,7 bilhões entre junho e agosto de 2026, redução de aproximadamente 21% frente aos R$ 108,32 bilhões do mesmo intervalo de 2025.

O montante também ficou 10,3% abaixo dos R$ 95,5 bilhões registrados em 2021. Na comparação com 2023, quando o volume chegou a R$ 143,9 bilhões, a queda foi de 40,4%.

Por finalidade, o crédito de custeio recuou 22% em relação a 2025. As liberações para investimento diminuíram 20%, enquanto os recursos para comercialização caíram 8%.

Os números se referem ao intervalo de junho a agosto, que abrange o encerramento de uma temporada e o início de outra. Já o Plano Safra 2026/27 prevê R$ 610 bilhões, sendo R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 84,9 bilhões para a agricultura familiar. A disponibilidade anunciada para a temporada não corresponde ao volume efetivamente liberado nesses três meses.

Goiás lidera retração entre os principais estados

Após Goiás, as maiores quedas entre os dez principais destinos do crédito rural ocorreram em Santa Catarina, com 40,4%; Mato Grosso do Sul, com 23,8%; e Mato Grosso, com 21%.

Juntos, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo receberam R$ 73,34 bilhões.

Esse grupo concentrou 85,6% das liberações nacionais, mas registrou redução de 20,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Custeio perde R$ 2,54 bilhões em Goiás

O custeio apresentou a maior retração entre as modalidades detalhadas para Goiás. As liberações passaram de R$ 5,79 bilhões para R$ 3,25 bilhões, queda de 43,8% e redução de R$ 2,54 bilhões.

Os recursos para investimento recuaram 37,3%, de R$ 1,74 bilhão para R$ 1,09 bilhão. Na comercialização, o volume diminuiu 15%, passando de R$ 602 milhões para R$ 510 milhões.

Por atividade, a agricultura recebeu R$ 2,64 bilhões, contra R$ 5,11 bilhões em 2025, uma queda de 48,3%.

Na pecuária, as liberações somaram R$ 2,35 bilhões, redução de 36,1% frente aos R$ 3,68 bilhões do mesmo intervalo do ano anterior.

Principais municípios agrícolas recebem 53,9% menos crédito

Nos 20 municípios identificados pelo levantamento como os maiores produtores agrícolas de Goiás, o crédito rural liberado somou R$ 1,47 bilhão, equivalente a 29,43% do total estadual.

A retração nesse conjunto foi de 53,9% na comparação anual. Os recursos de custeio caíram 49,3%, enquanto os de investimento diminuíram 50,4%.

Todos os municípios analisados registraram redução. As maiores quedas ocorreram em Santa Helena de Goiás, com 86,1%; Acreúna, com 83,4%; Chapadão do Céu, com 78,5%; Catalão, com 74,4%; e Luziânia, com 74,3%.

Rio Verde e Jataí, líderes em volume de recursos no grupo, também apresentaram retrações expressivas. Em Rio Verde, as liberações passaram de R$ 699,8 milhões para R$ 356,6 milhões, queda de aproximadamente 49%.

Em Jataí, o crédito diminuiu de R$ 317,6 milhões para R$ 169,9 milhões, recuo de 46,5%.

Juros, endividamento e risco ajudam a explicar cenário

A análise apresentada associa a redução do crédito bancário a uma combinação de fatores: juros elevados, maior endividamento dos produtores, risco de inadimplência, volatilidade dos preços agrícolas e aumento dos custos de produção.

Também são apontados a maior seletividade dos bancos, exigências adicionais de garantias, eventos climáticos extremos e menor demanda por investimentos. Esses fatores são apresentados como possíveis explicações para o movimento, sem uma mensuração individual de seus efeitos.

Nesse contexto, produtores recorrem a alternativas como Cédulas de Produto Rural (CPRs), operações de barter e financiamento por tradings, agroindústrias, revendas e fabricantes de insumos, além de recursos próprios.

Segundo a análise, parte dessas operações pode envolver condições menos favoráveis de juros, prazos e garantias. A redução das liberações bancárias reforça, assim, a atenção ao custo do financiamento e à capacidade de pagamento dos produtores para manter a continuidade da produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

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