Publicado em: 21/05/2026 às 11:35hs
O volume de crédito rural contratado nos dez primeiros meses do Plano Safra 2025/26 totalizou R$ 282,51 bilhões, segundo levantamento da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar em parceria com a consultoria Fator Agro, com base em dados do Banco Central do Brasil.
O montante representa queda de 9,7% em comparação ao mesmo período da safra anterior, quando as contratações alcançaram R$ 312,77 bilhões entre julho e abril.
Para o ciclo agropecuário 2025/26, o governo disponibilizou R$ 594,4 bilhões em crédito rural, mas o ritmo mais lento das operações reflete o cenário de juros elevados e maior custo financeiro para produtores e cooperativas.
Os dados mostram uma tendência de redução no volume contratado nos últimos anos. No Plano Safra 2023/24, o total de financiamentos rurais chegou a R$ 415,46 bilhões. Já no ciclo 2024/25, o valor caiu para R$ 377,99 bilhões.
Segundo a análise do Sistema Ocepar, o principal fator para a desaceleração das contratações é o aumento das taxas de juros provocado pela elevação da taxa Selic, que encareceu o acesso ao crédito no campo.
O cenário impacta diretamente os investimentos em custeio, comercialização e ampliação da produção agropecuária, especialmente em segmentos com maior dependência de financiamento bancário.
Entre as fontes de recursos utilizadas no crédito rural do Plano Safra 2025/26, os Recursos Livres concentram a maior participação, respondendo por 40% do total contratado.
Na sequência aparecem:
A maior participação dos recursos livres reforça a crescente dependência do mercado privado no financiamento do agronegócio brasileiro.
As cooperativas brasileiras contrataram aproximadamente R$ 38,76 bilhões em financiamentos rurais no atual ciclo do Plano Safra.
Desse total, as cooperativas paranaenses responderam por cerca de 35% das operações, somando R$ 13,53 bilhões em crédito contratado.
O desempenho reforça a posição do Paraná como um dos principais polos nacionais de cooperativismo agropecuário e crédito rural, com forte participação no financiamento da produção agrícola e pecuária brasileira.
A manutenção das taxas de juros em níveis elevados continua sendo um dos principais desafios para o setor agropecuário em 2026. O custo financeiro mais alto reduz a capacidade de investimento do produtor rural e pressiona margens em diversas cadeias produtivas.
Mesmo assim, cooperativas, bancos e agentes financeiros seguem ampliando alternativas de funding e instrumentos privados para sustentar o fluxo de crédito ao agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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