Publicado em: 12/03/2026 às 10:40hs
O crédito rural destinado ao agronegócio brasileiro apresentou crescimento nos primeiros meses do Plano Safra 2025/2026. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o volume de recursos contratados alcançou R$ 354,4 bilhões, registrando alta de 7% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando foram contratados R$ 330,8 bilhões.
Os números fazem parte do Boletim de Crédito Rural divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), administrado pelo Banco Central.
Já os recursos efetivamente concedidos — ou seja, aqueles já liberados aos produtores — somaram R$ 342,9 bilhões, avanço de 4% na comparação anual.
O crescimento foi impulsionado principalmente pela forte expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR) e pelo avanço das operações voltadas à industrialização, que compensaram a retração observada nas linhas tradicionais de financiamento.
O principal destaque do período foi o crescimento expressivo das Cédulas de Produto Rural (CPR) emitidas por produtores rurais junto a instituições financeiras.
As contratações por meio desse instrumento somaram R$ 163,4 bilhões, representando um aumento de 39% em relação ao mesmo intervalo da safra 2024/2025.
A CPR é amplamente utilizada para financiar o custeio da produção agrícola, sendo um dos mecanismos mais relevantes para o financiamento privado do agronegócio brasileiro.
Quando somados os recursos obtidos via CPR e as linhas tradicionais de custeio, o volume total destinado ao financiamento da produção alcança R$ 269,8 bilhões, registrando crescimento de 12% em comparação com a safra anterior.
Outro segmento que apresentou forte expansão foi o da industrialização, com crescimento expressivo nas contratações.
Os financiamentos destinados a essa finalidade chegaram a R$ 22,2 bilhões, avanço de 56% em relação ao mesmo período da safra passada. Nas operações efetivamente concedidas, o aumento foi de 51%, atingindo R$ 21,5 bilhões.
Esse foi o maior crescimento proporcional entre todas as finalidades de crédito rural analisadas no boletim.
Enquanto instrumentos mais modernos avançaram, as linhas tradicionais do crédito rural apresentaram recuo.
O custeio tradicional contratado totalizou R$ 106,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Nas concessões efetivas, a redução foi ainda maior, de 16%, com R$ 103,4 bilhões liberados.
O crédito para investimento apresentou retração mais acentuada. As contratações somaram R$ 39,5 bilhões, recuo de 20%, enquanto os recursos efetivamente concedidos caíram 33%, totalizando R$ 33 bilhões.
A comercialização agrícola também registrou redução, com queda de 15% nas contratações, que atingiram R$ 22,9 bilhões, e de 19% nas concessões, que somaram R$ 21,8 bilhões.
Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o comportamento dos investimentos reflete a cautela do setor diante das atuais taxas de juros, mesmo com a expectativa de redução da taxa básica de juros (Selic) ao longo dos próximos anos.
Os principais programas voltados ao financiamento de investimentos no campo também apresentaram retração na comparação com o Plano Safra anterior.
O Moderfrota, destinado à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, registrou a maior queda, com retração de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões.
Outros programas também registraram reduções:
O boletim também aponta mudanças importantes nas fontes de financiamento do crédito rural.
As fontes controladas somaram R$ 98,8 bilhões, com aumento de R$ 6,5 bilhões em relação ao levantamento anterior. O destaque foi o avanço expressivo das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada, que cresceram 4.038%, alcançando R$ 25,7 bilhões. O aumento reflete mudanças regulatórias que ampliaram o uso desse instrumento.
Outras fontes apresentaram os seguintes resultados:
Nas fontes não controladas, o volume total foi de R$ 80,7 bilhões, representando queda de 24%.
Nesse grupo:
O Plano Safra 2025/2026 prevê R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis, ou seja, financiamentos com juros subsidiados pelo governo federal.
Até fevereiro de 2026 foram concedidos R$ 44,1 bilhões, o equivalente a 39% do total programado. Assim, 61% dos recursos ainda permanecem disponíveis para contratação até o encerramento do plano.
Entre as finalidades:
Entre as instituições financeiras que operam o crédito rural com equalização de juros, o Banco do Brasil lidera as concessões.
No crédito equalizado para investimento, o banco soma R$ 6,3 bilhões, equivalente a 35% da execução do programa, seguido pelo BNDES, com R$ 5,5 bilhões, representando 31%.
No custeio equalizado, o Banco do Brasil também ocupa a primeira posição, com R$ 10,9 bilhões liberados, atingindo 63% de execução.
Outras instituições com participação relevante incluem:
O boletim também aponta que R$ 15,1 bilhões em operações já foram contratados, mas ainda não tiveram os recursos liberados aos produtores.
Desse total, destacam-se:
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias