Publicado em: 28/03/2018 às 16:00hs
O limite dos gastos públicos, adotado pelo atual governo federal, vai exigir maior habilidade de articulação política e econômica do próximo presidente para fazer frente à falta de recursos para recomposição salarial do funcionalismo e concessão de subsídios a vários setores da economia. O economista André Perfeito, em entrevista para a revista Globo Rural, na edição deste mês, vê um horizonte nada confortável para a agricultura, com dinheiro curto para bancar os subsídios do agronegócio, desde o crédito até a política de sustentação dos preços dos produtos.
Cenário - Economista-chefe da Gradual Investimento, que administra carteira de R$ 4,5 bilhões, Perfeito avalia que a “economia brasileira, de fato, deu sinais de fim de piora”, ao argumentar que, ao se debruçar sobre indicadores macroeconômicos, percebe-se melhoras em alguns deles. “Na indústria, houve alguma melhora. O setor do agronegócio foi excepcional. Mas acho que a gente vai demorar ainda mais de cinco anos para voltar para onde a gente estava antes dessa crise toda”, acrescenta, ao revelar que estima crescimento de 2,55% para a economia brasileira neste ano.
Juros - Ao longo da entrevista, o economista pontua que “a curva dos juros está supercomportada”. Esclarece que “os juros longos estão relativamente baixos. Olhando para a curva dos juros parece que tudo deu certo. (...) O Brasil está enfrentando taxas de juros extremamente baixas para o padrão brasileiro, o que gera ruídos fortes na economia”. Exemplo de ruído é o fato de o mercado financeiro não conseguir apresentar rentabilidade adequada para seus clientes. E isso é um incômodo, ao considerar que “a economia brasileira não sabe lidar com taxas de retorno tão baixas”.
Agricultura - Perfeito diz que o governo ainda tem condições de atender a demanda do setor agropecuário por redução de juros para linhas de custeio, comercialização e investimentos, por exemplo. Mas ressalva que “toda vez que o governo cria juros subsidiados, está gerando uma distorção no tecido econômico. Eu acho que essa distorção, o agronegócio sempre teve isso, e é bom que tenha, não acho ruim. Tem de ter. só que tem de descobrir como equalizar isso agora, quando existe o problema do teto de gastos”.
Realista - O economista argumenta ainda que a chamada PEC do Teto, que limita o crescimento das despesas do governo brasileiro por 20 anos, terá reflexo negativo sobre o agronegócio. Para ele, “se a emenda constitucional continuar, vai acabar com o crédito rural subsidiado para o agronegócio. Não vai ter dinheiro, acabou. Vai acabar o dinheiro para o agricultor também. A bancada ruralista depois que se vire em arranjar dinheiro”.
Alternativa - Para fazer frente a este cenário, segundo Perfeito, o próximo presidente terá de editar a MP do Veja Bem. “Isto é, veja bem que tudo o que gente falou até agora não era bem por aí. A primeira seria o fim da Regra de Ouro, um dispositivo da Constituição Federal que impede a emissão de dívida pelo governo para o pagamento de despesas correntes”, sinaliza.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
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