Publicado em: 31/03/2026 às 11:53hs
O BNDES aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a construção de uma usina de etanol de milho no município de Tapurah, localizado na região Médio-Norte do estado.
O crédito foi concedido à RRP Energia e corresponde a mais de 60% do investimento total previsto para a planta. Trata-se de um empréstimo de longo prazo, no qual o banco atua como principal financiador do projeto.
A nova unidade terá capacidade para produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano, ou 452 milhões de litros de etanol anidro. Com isso, Mato Grosso amplia sua posição como um dos principais polos nacionais de biocombustíveis à base de milho.
A usina também será capaz de processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano, além de gerar subprodutos importantes, como insumos para alimentação animal e óleo de milho.
Os recursos utilizados no financiamento têm origem no Fundo Clima, voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa, e na linha BNDES Finem, destinada a investimentos de grande porte.
O enquadramento no Fundo Clima reforça o papel do etanol como combustível renovável, contribuindo para a substituição de fontes fósseis e para a descarbonização da economia.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto está alinhado às diretrizes da Política Nacional de Biocombustíveis e da Nova Indústria Brasil, podendo evitar a emissão de cerca de 309 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Por trás da RRP Energia está o Grupo Piccini, controlado pelo empresário Joci Piccini.
A iniciativa marca a entrada do grupo no segmento de biocombustíveis e reflete uma tendência crescente de verticalização da produção agrícola no Centro-Oeste. Nesse modelo, o milho deixa de ser apenas exportado como commodity e passa a ser transformado em energia dentro do próprio estado.
Localizada próxima à BR-163, principal corredor logístico de Mato Grosso, a usina contará ainda com uma termelétrica com capacidade de até 27 megawatts, destinada ao abastecimento energético da planta.
Durante a fase de construção, o projeto deve gerar cerca de 1.100 empregos. Na operação, a previsão é de aproximadamente 300 postos de trabalho permanentes.
O avanço do etanol de milho evidencia uma transformação no setor energético brasileiro. Tradicionalmente dominado pela cana-de-açúcar, o mercado passa a incorporar novas matérias-primas e regiões produtoras.
Enquanto o Sudeste segue liderado por grandes grupos como a Raízen, o Centro-Oeste ganha protagonismo com o milho, beneficiado pela forte produção agrícola e pela integração com a pecuária.
Esse modelo fortalece a conexão entre agricultura, energia e produção de proteína animal.
O Grupo Potencial anunciou a ampliação de seu plano de investimentos para cerca de R$ 6 bilhões até 2030.
A estratégia inclui expansão da produção de etanol de milho e da capacidade de esmagamento de soja voltada ao biodiesel. A empresa decidiu mais que dobrar sua capacidade inicial, chegando a 2,6 milhões de toneladas de processamento anual de milho.
O movimento considera oportunidades geradas pelo cenário internacional, como a alta do petróleo em função de tensões geopolíticas, incluindo conflitos no Oriente Médio.
Por outro lado, a Raízen enfrenta desafios financeiros e protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.
A empresa atribui a situação ao ambiente de juros elevados no Brasil e às dificuldades econômicas na Argentina. A medida busca preservar o caixa para manter pagamentos a fornecedores e funcionários.
O conjunto de investimentos e movimentos estratégicos reforça que o setor de biocombustíveis no Brasil vive um período de transição e expansão.
Com a diversificação de matérias-primas, avanço tecnológico e maior integração entre cadeias produtivas, o país amplia sua relevância global na produção de energia renovável, com o etanol de milho ganhando protagonismo nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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