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Assuntos Jurídicos

Recuperação judicial no agronegócio cai 20,7% no segundo trimestre de 2026

Levantamento da Serasa Experian registra 448 pedidos entre abril e junho; Mato Grosso concentra o maior número de solicitações, seguido por Goiás e São Paulo.


Publicado em: 22/10/2026 às 13:00hs

Recuperação judicial no agronegócio cai 20,7% no segundo trimestre de 2026

Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro recuaram 20,7% no segundo trimestre de 2026, segundo a Serasa Experian. Entre abril e junho, foram registradas 448 solicitações, ante 565 no mesmo período de 2025.

A redução ocorreu nos três perfis acompanhados pelo levantamento: produtores rurais pessoas físicas, empresas rurais e empresas da cadeia do agronegócio. Apesar da queda, a gestão do endividamento e o acompanhamento do fluxo de caixa permanecem importantes diante das pressões sobre os negócios do setor.

Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro

Mato Grosso registrou 107 solicitações no trimestre, equivalentes a 23,9% do total nacional. Na sequência aparecem Goiás, com 84 pedidos e participação de 18,8%, e São Paulo, com 72 solicitações, correspondentes a 16,1%.

Por perfil, os produtores rurais pessoas físicas concentraram o maior número de pedidos, enquanto as empresas rurais apresentaram a redução mais expressiva na comparação anual:

  • Produtores rurais pessoas físicas: 197 pedidos, queda de 10,5%;
  • Empresas rurais: 160 solicitações, redução de 34,2%;
  • Empresas da cadeia do agronegócio: 91 pedidos, recuo de 10,8%.
Diagnóstico antecipado amplia alternativas de reestruturação

O custo do crédito, a oscilação dos preços das commodities e as despesas de produção podem comprometer o caixa e dificultar o pagamento das obrigações financeiras.

Para Felipe Denki, advogado especialista em reestruturação empresarial, identificar os desequilíbrios logo no início amplia as possibilidades de negociação e de reorganização das operações.

“Quando a empresa começa a enfrentar dificuldades para honrar seus compromissos, é importante revisar o fluxo de caixa, mapear as dívidas e entender quais operações continuam sendo sustentáveis”, afirma.

Segundo o especialista, esse diagnóstico ajuda a definir medidas para preservar a atividade e evitar que os problemas financeiros se agravem.

Viabilidade do negócio orienta avaliação da recuperação judicial

Denki ressalta que a recuperação judicial exige uma análise da situação financeira, da capacidade operacional e das perspectivas de continuidade da empresa.

Na avaliação do advogado, o endividamento, isoladamente, não determina a adequação dessa alternativa. É necessário compreender as causas da dificuldade, verificar se a operação permanece viável e avaliar a capacidade de executar um plano de reestruturação.

O objetivo, explica, é construir uma saída sustentável que permita preservar a atividade econômica e, quando possível, os empregos vinculados ao negócio.

Reestruturação envolve custos, contratos e gestão

As dificuldades financeiras também podem alcançar fornecedores, trabalhadores e parceiros comerciais. Por isso, a reorganização precisa considerar os efeitos sobre toda a operação.

Além da negociação com credores, o processo pode envolver revisão de despesas, contratos, atividades e estratégias de gestão, conforme as necessidades identificadas no diagnóstico.

Embora o segundo trimestre tenha apresentado menos pedidos de recuperação judicial, o acompanhamento dos indicadores financeiros continua essencial. Para Denki, planejamento e avaliação técnica das alternativas ajudam empresas e produtores a enfrentar a instabilidade e buscar condições para manter suas atividades.

Fonte: Portal do Agronegócio

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