Publicado em: 02/02/2026 às 10:00hs
Minas Gerais tem registrado um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial, colocando o estado no radar nacional das crises empresariais. Entre os três primeiros trimestres de 2025, 1.032 empresas mineiras recorreram à recuperação judicial, um crescimento de 23% em relação a 2024 (792 empresas).
O número supera a média nacional, que teve alta de 6,4%, com 5.285 pedidos registrados em todo o país, segundo o Monitor RGF de Recuperação Judicial. Entre o segundo e o terceiro trimestre de 2025, Minas Gerais apresentou ainda um aumento de 8% nos pedidos, refletindo a pressão contínua sobre empresas que lidam com margens apertadas, crédito caro e dívidas de longo prazo.
O agronegócio e a agroindústria mineira aparecem entre os segmentos com maior participação proporcional em pedidos de recuperação judicial. No terceiro trimestre de 2025, foram registrados 59 pedidos no setor agrícola, segundo dados da Serasa Experian.
Empresas que cresceram nos últimos anos com base em financiamentos, CPRs, contratos de fornecimento e operações de barter enfrentam agora restrições de liquidez, devido à volatilidade de preços de commodities como café e soja, aumento de custos operacionais e gargalos logísticos.
Um exemplo recente envolve um grupo do agronegócio mineiro com quase R$ 895 milhões em dívidas, incluindo empresas como Vitória Agronegócios Ltda e AG&F Agropecuária, cujo pedido de recuperação judicial foi deferido pela Justiça na região noroeste do estado.
O aumento das recuperações judiciais impacta diretamente fornecedores, transportadoras, cooperativas e prestadores de serviços, ampliando o risco de novas dificuldades econômicas na região.
“Quando uma empresa entra em crise, toda a cadeia produtiva sente o efeito. É essencial que o empresário adote medidas preventivas, caso contrário o impacto se espalha rapidamente”, alerta o advogado Eliseu Silveira, especialista em reestruturação e recuperação judicial.
Silveira reforça que recorrer à recuperação judicial não é necessariamente um sinal de fracasso, mas muitas vezes uma estratégia para proteger o caixa, reorganizar dívidas e preservar operações.
“O problema é buscar ajuda apenas quando a crise já se instalou. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de reorganização efetiva”, destaca.
O cenário evidencia a importância de planejamento jurídico-financeiro, análise preventiva de riscos, revisão de contratos e renegociação estruturada de passivos, especialmente em um ambiente de crédito restrito e custos elevados.
Minas Gerais concentra empresas de médio porte com elevada dependência de cadeias produtivas que exigem capital intenso. Esse perfil torna o estado particularmente sensível às flutuações de crédito e custos operacionais, destacando a necessidade de gestão estratégica e prevenção de riscos para garantir a sobrevivência empresarial e a estabilidade econômica regional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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