Publicado em: 28/08/2025 às 11:05hs
Uma megaoperação envolvendo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a Polícia Federal (PF), a Receita Federal e outros órgãos foi deflagrada nesta quinta-feira (28) em diversos estados brasileiros. O alvo principal são organizações criminosas que atuam no mercado de combustíveis, com suspeitas de ligação direta com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
As ações — que englobam as operações Quasar, Tank e uma frente conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO)** — buscam desarticular redes de fraudes fiscais, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro e até coação de empresários do agronegócio.
Segundo o Ministério Público, integrantes do PCC pressionaram produtores rurais a venderem fazendas e usinas de cana-de-açúcar, além de empresários do setor de combustíveis a se desfazerem de postos de gasolina. Em muitos casos, os vendedores nunca receberam o valor acordado e foram ameaçados de morte caso cobrassem a dívida.
Há ainda suspeitas de que criminosos tenham provocado incêndios criminosos em canaviais para forçar negociações.
Outro foco da investigação envolve a importação irregular de etanol pelo Porto de Paranaguá (PR). O combustível, altamente inflamável e tóxico, era desviado de seus destinos oficiais e transportado com documentação falsa. Ele acabava em distribuidoras e postos clandestinos, sendo utilizado para adulterar gasolina e outros derivados.
Fraudes qualitativas (combustível adulterado) e quantitativas (menor volume entregue nas bombas) foram detectadas em mais de 300 postos de combustíveis em diferentes estados.
As apurações identificaram mais de 350 alvos entre pessoas físicas e jurídicas, com atuação em diversas etapas da cadeia de produção e distribuição de combustíveis. O dinheiro movimentado ilegalmente foi ocultado em uma rede complexa de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs controladas pelo crime organizado.
Segundo o MPSP, apenas em tributos sonegados, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 7,7 bilhões.
No âmbito da Operação Quasar, a PF cumpre mandados em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. As investigações apontam para o uso de fundos de investimento e transações simuladas entre empresas do mesmo grupo para blindagem patrimonial e ocultação de recursos ilícitos.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 1,2 bilhão, além do afastamento dos sigilos bancário e fiscal de investigados.
Já a Operação Tank mira uma das maiores redes de lavagem de dinheiro do Paraná, que teria movimentado mais de R$ 23 bilhões desde 2019. Estima-se que pelo menos R$ 600 milhões tenham sido lavados por meio de depósitos fracionados, laranjas, transações cruzadas e fraudes contábeis.
As irregularidades envolvem 46 postos de combustíveis em Curitiba, acusados de adulterar gasolina e praticar a chamada “bomba baixa”, em que o consumidor paga por um volume maior do que efetivamente recebe.
Ao todo, participam da ofensiva cerca de 1.400 agentes públicos, incluindo o MPSP, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda de São Paulo, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procuradoria-Geral do Estado.
Foram cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Além disso, foram bloqueados bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 empresas, ultrapassando R$ 1 bilhão em constrição patrimonial.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias