Publicado em: 14/08/2025 às 14:00hs
O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro cresceu significativamente em 2025. De acordo com dados divulgados pela Serasa Experian, foram 389 solicitações registradas no primeiro trimestre, representando um aumento de 21,5% em relação ao trimestre anterior e de 44,6% na comparação anual.
Os produtores rurais que atuam como pessoas físicas foram os que mais recorreram à recuperação judicial, com 195 pedidos no primeiro trimestre, contra 140 no trimestre anterior e 106 no mesmo período de 2024.
Mato Grosso foi o estado com o maior número de pedidos feitos por produtores pessoa física, totalizando 50 solicitações no primeiro trimestre. Goiás aparece em segundo lugar, com 38 pedidos, seguido por Minas Gerais, com 31.
O advogado especialista em recuperação judicial no agronegócio, Euclides Ribeiro, alerta para a situação insustentável enfrentada pelos produtores. Ele destaca que a combinação de falta de investimento e políticas inadequadas está levando o setor a uma crise grave.
“Com a Selic a 15% ao ano, quem consegue produzir e pagar todas as contas? Estamos diante de um problema enorme e é hora de nos unirmos para dizer 'chega', porque ninguém aguenta mais”, afirmou.
Ribeiro também enfatizou que o aumento das tarifas impostas pelo governo dos EUA deve agravar a situação, especialmente para os produtores de laranja e café, responsáveis por cerca de 60% das exportações brasileiras para aquele mercado.
“Esse impacto pode ser a gota d’água para muitos produtores, afetando não só financeiramente, mas também mental e psicologicamente”, ressaltou.
O advogado ressalta que o aumento nos pedidos também reflete maior conhecimento sobre a recuperação judicial como ferramenta legal eficiente para a reestruturação dos negócios.
“A dívida do agronegócio ultrapassa 1 trilhão de reais. Essas 389 recuperações são apenas a ponta do iceberg”, explicou.
Para Ribeiro, a curto prazo, é essencial ampliar a divulgação sobre a recuperação judicial como instrumento de renegociação benéfico para credores e devedores. A médio prazo, ele defende a redução das taxas de juros para viabilizar a produção.
“Se alguém pode ganhar 15% ao ano sem trabalhar, por que oferecer isso para o agricultor? Com esses juros, não há agronegócio viável no Brasil, nos EUA ou na Europa. Produzir commodities pagando 20% ao ano é impossível”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias