Agricultura familiar de Domingos Martins abastece escolas em 78 municípios do Espírito Santo
Coopram conecta produtores rurais à alimentação escolar, organiza coleta e distribuição dos alimentos e já supera R$ 15 milhões em vendas para outros estados em 2026
Publicado em: 21/09/2026 às 16:30hs
Alimentos produzidos por agricultores familiares de Domingos Martins estão chegando às refeições de estudantes de 78 municípios do Espírito Santo. A operação é coordenada pela Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), que organiza a comercialização, o recolhimento e a entrega dos produtos nas escolas.
A atuação da cooperativa permite que pequenos produtores acessem as compras públicas sem precisar negociar individualmente com cada unidade ou município. Com maior previsibilidade para o escoamento das safras, as famílias podem planejar melhor a produção e reduzir parte das incertezas relacionadas ao mercado.
Além de atender escolas capixabas, a Coopram fornece produtos para municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro. Somente em 2026, as vendas realizadas fora do Espírito Santo já ultrapassam R$ 15 milhões, segundo a organização.
Alimentação escolar abre mercado para pequenos produtores
Uma das principais portas de acesso da agricultura familiar às escolas é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Instituído pela Lei nº 11.947, o programa estabelece, desde 2009, que pelo menos 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam aplicados na aquisição de produtos da agricultura familiar.
A política pública cria um mercado para frutas, verduras, legumes e outros alimentos produzidos em pequenas propriedades. Ao mesmo tempo, amplia a participação de produtos locais na alimentação dos estudantes.
Segundo o presidente da Coopram, Darli Schaefer, a cooperativa funciona como elo entre os produtores e as escolas.
“Nosso papel é fazer essa ponte entre o produtor e as escolas. Com as compras públicas, conseguimos criar novos caminhos para a produção da agricultura familiar e dar mais segurança para o cooperado produzir e saber que terá para onde escoar sua colheita”, afirma.
Cooperativa amplia alcance da produção rural
A negociação coletiva permite atender volumes, prazos e exigências logísticas que seriam mais difíceis para os agricultores individualmente. A cooperativa também assume etapas como conferência, separação dos pedidos, transporte e entrega dos alimentos.
Esse trabalho beneficia produtores de diferentes localidades de Domingos Martins. Um deles é Guilherme Volkers Waiandt, agricultor da região do Galo e integrante de uma família que trabalha no campo há mais de 50 anos.
A produção começou com o avô, que transportava os alimentos de caminhonete até Campinho, sede do município, para comercializá-los. A atividade passou para o pai, Gervânio Elias Waiandt, conhecido como Zico, e chegou à geração atual.
A família mantém três pequenas propriedades nas regiões do Galo, Biriricas e Melgaço. Entre as culturas produzidas estão banana, café, tangerina ponkan, abacate e aipim.
“A agricultura sempre fez parte da nossa história. É um trabalho que foi passado de geração em geração e que continua fazendo parte da nossa rotina”, relata Guilherme.
Produção familiar conquista novos destinos
Cooperado há 45 anos, Guilherme considera que a organização coletiva amplia o alcance comercial dos alimentos e valoriza o trabalho realizado nas propriedades.
“Nossa produção tem conquistado novos destinos e, quando a cooperativa faz esse trabalho, ela olha para quem está no campo e reconhece o esforço do produtor. E, quando o produtor é valorizado, o produto também ganha valor. É uma forma de mostrar que existe uma história e uma pessoa por trás do alimento que chega à mesa”, afirma.
Ao reunir a oferta de diferentes propriedades, a Coopram consegue atender compradores de outras cidades e estados. Esse modelo também favorece a diversificação, já que a cooperativa comercializa produtos provenientes de diferentes lavouras e épocas do ano.
Venda garantida aumenta segurança no campo
Na localidade de Melgaço, o produtor Geraldo Tesch fornece alimentos à Coopram desde 2012. Ele entrega alface, chuchu, cenoura, abobrinha, pepino, inhame e mexerica ponkan.
Para o agricultor, saber que parte da produção possui destino definido proporciona maior segurança diante dos riscos climáticos, das variações de preços e das dificuldades de comercialização.
“Para a gente aqui é muito importante essa parceria, ver que a Coopram compra os produtos do associado e faz as entregas nas escolas. A gente também tem uma segurança de que parte da produção tem uma venda garantida”, explica.
Essa previsibilidade ajuda o produtor a planejar os cultivos e organizar o calendário de colheita de acordo com a demanda dos programas de alimentação escolar.
Logística conecta propriedades às escolas
A distribuição começa ainda nas comunidades rurais. Alguns agricultores transportam seus produtos até a sede da Coopram, localizada em Ponto Alto. Em outras situações, a própria cooperativa realiza a coleta nas propriedades.
Após o recebimento, os alimentos passam por conferência e são separados conforme os pedidos de cada escola. Em seguida, a cooperativa prepara as cargas, organiza as rotas e realiza as entregas.
A estrutura permite que a produção de pequenas propriedades deixe Domingos Martins e alcance estudantes de diversas regiões, preservando a participação do agricultor familiar na origem dos alimentos.
Coopram supera R$ 15 milhões em vendas interestaduais
De acordo com a Coopram, aproximadamente 90% dos associados comercializam algum produto com a organização ao longo do ano. Parte da produção abastece escolas do Espírito Santo, enquanto outra parcela segue para compradores de outros estados.
Em 2026, as vendas destinadas a mercados fora do território capixaba já superaram R$ 15 milhões. A cooperativa mantém operações com municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da presença em 78 cidades do Espírito Santo.
“Esse alcance mostra que a agricultura familiar tem capacidade de produzir e atender diferentes mercados. Quando conseguimos levar esses alimentos para outras regiões, ampliamos as oportunidades para os nossos cooperados e fazemos com que o trabalho realizado nas propriedades de Domingos Martins chegue cada vez mais longe”, destaca Darli Schaefer.
Ao integrar produção, comercialização e logística, a cooperativa transforma as compras institucionais em oportunidade de renda para as famílias rurais e amplia a presença dos alimentos da agricultura familiar nas escolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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