Publicado em: 21/12/2017 às 19:40hs
Às vésperas da festa cristã mais monetizada no mundo, até os bolsos sacrificados pela crise da economia brasileira vão testar a concorrência prometida no varejo para desfrutar da tradicional ceia de Natal. Em Minas Gerais, o porco não costuma ficar devendo às iguarias originadas no estrangeiro, e pretende reforçar de novo, em 2017, o título de estrela do jantar em família. Lombo e pernil suínos chegam com vantagem ao ringue, cotados nos últimos dias em Belo Horizonte a valores baixos, a partir de R$ 9,90 e R$ 7,50 o quilo, respectivamente, quando comparados aos sofisticados desafiantes à mesa.
O quilo do bacalhau vem sendo anunciado no comércio da capital a partir de R$ 40 – a rigor, trata-se de um peixe salgado, neste caso. O chester e o peru estão na faixa de R$ 15. Sem deixar que o cliente se impressione com essa primeira etapa da compra que salta das tabuletas de preços expostas nas vitrines, a corrida às lojas esbarra em outro aliado da carne de porco. A tradição desse hábito de consumo, arraigada na gastronomia mineira, não é nada fácil de ser quebrada.
Quarto produtor de suínos no Brasil, Minas é também o primeiro mercado consumidor da carne no país, que alcança 22 quilos por habitante ao ano, enquanto a média nacional estaciona em 15 quilos per capita também no ano, segundo os dados mais recentes da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Com o plantel de 273.197 matrizes, as granjas produzem ao redor de 700 mil toneladas de carne suína todo ano. Na última semana, as vendas dos produtores cresceram 5,58%. Pesquisa encomendada pela entidade indicou que 17% das casas de carne ouvidas têm a intenção de renovar as encomendas.
Tanto os suinocultores quanto os frigoríficos se valem dessa tradição e colhem frutos neste ano, a despeito do aperto financeiro do consumidor. Adriano Pacheco, diretor comercial do frigorífico Saudali, empresa de Ponte Nova especializada em carne de porco, conta que as vendas atingiram nesta semana 1,6 milhão de toneladas, marca recorde em 18 anos de história do frigorífico.
A empresa vem trabalhando firme para expandir a clientela no varejo, atendendo pequenos estabelecimentos, inclusive aquelas de bairros, e as padarias. “Investimos R$ 32 milhões neste ano para abrir frentes no varejo e diversificar a produção. Há consumidores que ainda estão aprendendo a consumir carne suína e os derivados, de alta qualidade”, afirma. O frigorífico pretende expandir dos atuais 2,3 mil animais abatidos por dia para 3,5 mil diariamente até o início de 2019.
Outra estratégia tem sido investir nos cortes suínos mais trabalhados, e bastante apreciados, como o tender, costelinha, filé, lombo e picanha de porco defumados. A favor do chester e do peru pesa o fato de que as correções de preços no varejo em relação a 2016 têm sido menores frente àquelas dos cortes suínos, alerta Feliciano Lopes de Abreu, diretor do site de pesquisas Mercado Mineiro.
Os preços pesquisados entre 28 de novembro e o último dia 2 de 75 produtos típicos das ceias de fim de ano em 20 estabelecimentos do varejo de BH mostraram remarcações de 3,45% no preço do quilo do peru, ante idêntico período do ano passado; de 6,4% para o chester; 6,92% para o quilo do pernil com osso, e 15,6% para o lombo.
“Há uma outra lógica neste ano. Os produtos mais caros da ceia baratearam e aqueles que eram os mais baratos e que podem ser alternativa para a substituição vantajosa para o consumidor encareceram”, destaca Abreu. Outra armadilha para a dona de casa está numa grande variação de preços para um mesmo produto até mesmo entre os cortes de porco vendidos a preços mais convidativos neste Natal. A pergunta que o cliente se faz é onde está a concorrência nesta semana decisiva para o jantar. Ainda há tempo de o varejo cumprir a promessa e de o cliente rejeitar o abuso. As contas e os hábitos são seus melhores juízes. Boas compras e feliz Natal!
Bom para o bolso
A ceia ampliada de Natal deve ficar, em média, 7,68% mais barata neste ano, na comparação com o ano passado, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre). O estudo indicou que a inflação dos itens típicos foi inferior à variação medida pelo IPC-10/FGV, entre janeiro e dezembro de 2017, que foi de 3,24%. As frutas, com deflação de 13,86%, apresentam o melhor desempenho para o consumidor, seguidas da farinha de trigo. O preço do bacalhau caiu 12,31%.
Expansão em Extrema
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter aprovado a concessão de empréstimo de R$ 21,6 milhões à Pandurata Alimentos, dona das marcas Bauducco, Visconti e Tommy para ampliação da unidade de Extrema, no Sul de Minas Gerais. A operação, que tem como repassador do recurso o Banco Safra, representa 31% do aporte total previsto no projeto. A expansão contempla novo prédio com área de 15 mil metros quadrados, instalações e infraestrutura para mais uma linha de produção de biscoitos tipo cookies, com capacidade produtiva de 2.080 quilos por hora.
Fonte: Jornal Estado de Minas
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