Suíno

Suinocultura em alerta: poder de compra do produtor despenca e margens seguem pressionadas em 2026

Queda no preço do suíno vivo supera recuo dos insumos, reduz capacidade de compra do produtor paulista e amplia preocupação no setor, mesmo com recorde nas exportações de carne suína brasileira


Publicado em: 21/05/2026 às 13:40hs

Suinocultura em alerta: poder de compra do produtor despenca e margens seguem pressionadas em 2026

O poder de compra do suinocultor paulista frente aos principais insumos da atividade segue em deterioração em maio, reforçando o cenário de pressão sobre as margens da suinocultura brasileira em 2026. Levantamentos do Cepea mostram que, apesar das quedas nos preços do milho e do farelo de soja, a desvalorização mais intensa do suíno vivo tem reduzido a capacidade de compra dos produtores.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esta é a oitava queda consecutiva no poder de compra frente ao milho, atingindo o pior nível desde fevereiro de 2023.

Na parcial de maio, considerando dados até o dia 19, o produtor da região de Campinas (SP) conseguiu adquirir, em média, 4,96 quilos de milho e 3,18 quilos de farelo de soja para cada quilo de suíno vivo vendido. Os números representam retrações de 4,9% e 6%, respectivamente, em relação a abril.

Na comparação anual, a situação é ainda mais preocupante. O poder de compra caiu 29,1% frente ao milho e 33,2% em relação ao farelo de soja.

Queda histórica no preço do suíno vivo

O Cepea destaca que os preços do suíno vivo acumularam fortes desvalorizações ao longo de abril em todas as regiões acompanhadas pelo instituto. Em SP-5 — que engloba Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — a retração real acumulada em 2026 já supera 30% na comparação entre a média de abril e dezembro de 2025, considerando ajuste pelo IGP-DI.

De acordo com os pesquisadores, trata-se da queda mais intensa para esse período em toda a série histórica do Cepea, iniciada em 2002.

Apesar de uma reação pontual nas cotações durante a primeira quinzena de maio, impulsionada por melhora temporária na demanda por carne suína, o movimento não foi suficiente para recuperar a média mensal dos preços.

Além disso, a expectativa do Cepea é de que o mercado permaneça sem força para altas consistentes pelo menos até o início de junho, especialmente com o avanço da segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por consumo mais enfraquecido.

Exportações de carne suína batem recorde em abril

Mesmo diante das dificuldades no mercado interno, o desempenho das exportações brasileiras de carne suína segue positivo.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 138,3 mil toneladas de carne suína em abril, o maior volume já registrado para o mês na série histórica iniciada em 1997.

Embora o volume tenha recuado 9,1% frente a março, quando foram exportadas 152,2 mil toneladas, houve crescimento de 8,2% em relação a abril de 2025.

O avanço das exportações ajuda a sustentar parte da demanda pelo produto brasileiro no mercado internacional, mas ainda não tem sido suficiente para equilibrar as perdas acumuladas pelos produtores no mercado doméstico.

Mercado de insumos segue lento

No segmento de grãos, o Cepea aponta que o mercado spot do milho continua operando com demanda limitada. Consumidores seguem priorizando o uso de estoques e realizando compras pontuais, fator que mantém pressão sobre os preços do cereal.

Ainda assim, a queda nos valores do milho e do farelo de soja não compensou a desvalorização do suíno vivo, agravando o cenário financeiro das granjas.

Frango ganha competitividade frente à carne bovina

Entre as proteínas concorrentes, o mercado apresentou movimentos distintos em abril. O preço da carne bovina avançou na Grande São Paulo, enquanto a carcaça suína registrou forte queda.

Já o frango resfriado teve valorização no período e alcançou o maior nível de competitividade frente à carne bovina dos últimos quatro anos.

Por outro lado, na comparação com a proteína suína, o frango viveu seu pior momento competitivo desde 2022, refletindo a forte queda dos preços da carne suína no mercado interno.

Boletim do Suíno

Fonte: Portal do Agronegócio

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