Publicado em: 05/01/2026 às 11:50hs
A suinocultura brasileira deve iniciar 2026 em um cenário de estabilidade e confiança. Após um 2025 marcado por preços firmes e custos de produção controlados, o setor encerra o ano com bons níveis de rentabilidade e perspectivas favoráveis para o ciclo seguinte. A expectativa é de um crescimento moderado na produção, sustentado principalmente pelo aumento nas exportações.
De acordo com estimativas da Safras & Mercado, as exportações brasileiras de carne suína devem alcançar 1,545 milhão de toneladas em 2026 — um avanço de 6,32% em relação às 1,453 milhão de toneladas previstas para o fechamento de 2025. O crescimento reforça o protagonismo do mercado externo como principal motor da suinocultura nacional.
Segundo o analista Allan Maia, da Safras & Mercado, as Filipinas seguem como o principal destino da carne suína brasileira, cenário favorecido pelas dificuldades estruturais da produção local, ainda afetada pela peste suína africana (PSA), além do aumento da demanda interna.
O Brasil também avança na diversificação de destinos. O Japão tem ampliado gradualmente suas compras, inicialmente a partir de plantas habilitadas em Santa Catarina, com perspectiva de expansão para outros estados produtores.
Outro mercado promissor é o México, onde tensões comerciais com os Estados Unidos podem abrir espaço para o produto brasileiro. A Coreia do Sul segue como mercado em potencial, com embarques ainda limitados, enquanto o Vietnã mantém ritmo de importações em crescimento, embora impactado por casos recorrentes de PSA.
Entre os países da América do Sul, Argentina, Chile e Uruguai também se destacam como destinos adicionais para a carne suína nacional.
Diferentemente do início da década, a China deve continuar com volumes de importação abaixo do observado em anos anteriores. Segundo Maia, a ampla oferta doméstica e um ambiente econômico incerto tendem a limitar a demanda chinesa no curto prazo.
O analista destaca que o Brasil mantém vantagem competitiva no cenário internacional, tanto em qualidade quanto em preço. Enquanto isso, a União Europeia, principal concorrente, enfrenta custos de produção elevados e restrições sanitárias que limitam o crescimento da oferta e pressionam os preços.
Maia observa ainda que novos registros de peste suína africana em javalis no oeste europeu devem fortalecer a posição de Brasil e Estados Unidos no comércio global de carne suína nos próximos anos, em detrimento do produto europeu.
As projeções da Safras & Mercado apontam que a produção de carne suína no Brasil deve chegar a 5,702 milhões de toneladas em 2026, frente às 5,587 milhões estimadas para 2025 — um avanço de 2,07%.
Para Maia, esse crescimento moderado contribui para o equilíbrio do mercado interno, evitando pressões de oferta que poderiam impactar os preços.
Apesar do otimismo, o ambiente macroeconômico ainda impõe desafios. O alto custo do crédito em 2025 limitou novos investimentos, e, mesmo com expectativa de redução nas taxas de juros, os níveis devem permanecer elevados.
Além disso, o ano eleitoral tende a elevar os gastos públicos e aumentar a volatilidade cambial, o que pode afetar tanto os custos de produção quanto o consumo doméstico.
O primeiro trimestre de 2026 deve ser mais desafiador para o consumo, em razão das despesas sazonais das famílias, o que dificulta reajustes na cadeia produtiva. No entanto, a partir do segundo semestre, a demanda interna tende a se recuperar.
O desempenho das proteínas concorrentes também será determinante: preços mais altos da carne bovina favorecem o consumo de carne suína, enquanto inflação e juros elevados mantêm o frango como opção mais acessível.
Fonte: Portal do Agronegócio
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