Publicado em: 18/05/2026 às 11:50hs
A suinocultura brasileira atravessa um momento de forte pressão econômica em 2026. De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado de suínos registrou deterioração acelerada das margens em abril, diante do excesso de oferta no mercado interno e da dificuldade de absorção da produção pelo consumo doméstico.
O estudo destaca que o spread da atividade entrou em território negativo pela primeira vez em quase três anos, acendendo um sinal de alerta para produtores independentes e reforçando a necessidade de gestão rigorosa de custos e controle da expansão da produção.
Segundo o levantamento, o preço do suíno vivo em São Paulo caiu 18% ao longo de abril, encerrando o mês em R$ 5,40 por quilo — o menor patamar desde 2022 e cerca de 30% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Na comparação com março, a retração média foi de 14%, movimento que derrubou a rentabilidade da atividade. O spread da suinocultura passou de 22% no início do ano para -6% em abril.
A pressão ocorreu principalmente pelo avanço da produção em ritmo superior à capacidade de absorção do mercado doméstico. Apesar da queda nos preços da carne no atacado ter sido menor, o excesso de oferta penalizou fortemente o valor pago ao produtor.
O relatório aponta ainda que, mesmo com uma leve recuperação nos preços no fim de abril, o mercado precisaria voltar ao patamar de R$ 6,15/kg para atingir novamente o ponto de equilíbrio financeiro da atividade.
Apesar das dificuldades no mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne suína continuam apresentando desempenho robusto.
Os embarques de abril alcançaram cerca de 121 mil toneladas, volume 9,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, o crescimento chega a 13,7%.
Ainda assim, o avanço das vendas externas não foi suficiente para compensar o aumento da produção interna.
Dados preliminares de abate sob inspeção federal indicam crescimento de 5% no primeiro trimestre do ano. Considerando também a expansão das exportações, o consumo aparente doméstico avançou apenas 2,2%, mostrando ritmo insuficiente para equilibrar o mercado.
Além disso, o aumento do peso médio das carcaças contribuiu para ampliar ainda mais a disponibilidade de carne no mercado brasileiro.
Na avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário exige maior disciplina produtiva e foco estratégico na gestão de custos, principalmente entre produtores independentes.
O relatório destaca que, embora os custos de produção ainda estejam relativamente controlados e as exportações permaneçam aquecidas, a continuidade da oferta elevada pode agravar ainda mais a deterioração das margens.
Entre os principais fatores de atenção para os próximos meses estão:
O estudo ressalta ainda que os ciclos de destruição de margens na suinocultura costumam ser longos, exigindo planejamento financeiro e estratégias de proteção por parte dos produtores.
Mesmo com o cenário doméstico desafiador, o spread de exportação da carne suína brasileira segue em patamar considerado favorável.
A competitividade do produto brasileiro no mercado internacional continua sustentando os embarques, principalmente em um contexto de demanda externa aquecida e ausência de grandes restrições comerciais.
Ainda assim, o Itaú BBA alerta que somente uma desaceleração mais consistente da oferta poderá restabelecer o equilíbrio entre produção e demanda no mercado interno ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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