Suíno vivo sobe 35% em São Paulo, mas margens seguem negativas, aponta Itaú BBA
Recuperação dos preços reduz perdas em outubro; aumento da produção, exportações menos rentáveis e riscos sobre os custos da ração exigem atenção para 2027
Publicado em: 16/10/2026 às 10:30hs
Os preços do suíno vivo e da carne suína apresentaram forte recuperação entre o fim de agosto e outubro, mas a valorização ainda não foi suficiente para restabelecer a rentabilidade da atividade. Segundo o Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o suíno vivo em São Paulo acumulou alta de 35% no período, alcançando R$ 6,55 por quilo em 13 de outubro.
No atacado, a meia carcaça passou do piso de R$ 7,20 por quilo, registrado no fim de agosto, para R$ 10,10 por quilo, avanço de aproximadamente 40%.
A reação aliviou parte das perdas acumuladas após meses de pressão sobre as cotações. Entretanto, os custos elevados, a expansão dos abates e a redução da rentabilidade das exportações mantiveram os indicadores do setor abaixo dos níveis históricos.
Recuperação de outubro ameniza resultado negativo
Apesar da reação iniciada na segunda quinzena de setembro, o preço médio daquele mês não avançou o suficiente para compensar o aumento dos custos de produção.
Conforme os cálculos apresentados pelo Itaú BBA, o resultado chegou a R$ 207 negativos por animal terminado em setembro.
Na parcial de outubro, considerando custos e preços até o dia 13, o spread da suinocultura permanecia negativo, mas havia melhorado de -36% para -14%. O indicador acompanhado pelo banco mostra, portanto, redução das perdas, sem retorno ao equilíbrio no período analisado.
Relação com o frango pode favorecer novos ajustes
Mesmo após a valorização, a meia carcaça suína continuava relativamente descontada em comparação ao frango abatido, segundo o relatório.
Na avaliação da consultoria, essa relação de preços oferece espaço para continuidade da recuperação do suíno sob a perspectiva da demanda doméstica.
A oferta, porém, exige acompanhamento. Os dados de agosto indicavam crescimento de 7% nos abates em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto informações do Cepea apontavam disponibilidade mais limitada de animais prontos para abate no início de outubro.
O cenário combina, assim, expansão recente da produção com sinais de ajuste na oferta de curto prazo.
Exportações de carne suína in natura recuam em setembro
No mercado externo, os embarques de carne suína in natura somaram 119 mil toneladas em setembro. O volume ficou próximo ao dos meses anteriores, mas foi 11,2% inferior ao registrado em setembro de 2025.
O preço médio de exportação também diminuiu, com queda de 2,7% frente a agosto.
A combinação entre menor preço externo e custos produtivos mais altos pressionou o spread das exportações, que passou de 33% para 28%. O resultado ficou abaixo da média de 35% para setembro nos últimos cinco anos e dos 43% observados no mesmo mês de 2025.
Produção brasileira deve alcançar 6 milhões de toneladas em 2026
Para o fechamento de 2026, o Itaú BBA projeta crescimento de 5% na produção brasileira de carne suína, para 6 milhões de toneladas.
As exportações devem avançar 4%, alcançando 1,5 milhão de toneladas, enquanto o consumo doméstico tem previsão de expansão de aproximadamente 6,7%.
Mesmo com o crescimento da demanda e a recuperação recente das cotações, o banco avalia que o setor tende a encerrar o ano com margens pressionadas pela relação entre preços de venda e custos de produção.
Concorrência internacional deve exigir atenção em 2027
As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citadas no relatório, apontam redução da produção mundial de carne suína em 2027, principalmente pela retração esperada na China.
A produção chinesa deve cair 2,2%, equivalente a 1,33 milhão de toneladas. Segundo a análise, o país passa por um ajuste de oferta, associado à redução do rebanho promovida pelo governo e à rentabilidade insatisfatória da atividade.
Ao longo de 2026, a aceleração dos abates chineses para reduzir estoques ampliou a disponibilidade de carne e intensificou a pressão sobre os preços domésticos.
O relatório também considera a possibilidade de Japão e Coreia do Sul diminuírem levemente suas importações após a formação de estoques em 2026. Para o Brasil, cuja produção tem previsão de crescer 2,8% em 2027, esse quadro pode significar maior concorrência entre exportadores por mercados alternativos.
Milho safrinha e custos da alimentação são riscos para as margens
No próximo ano, a continuidade da expansão da oferta brasileira poderá coincidir com condições mais desafiadoras para os custos de produção.
O Itaú BBA destaca os riscos associados ao El Niño sobre o milho safrinha. Eventuais impactos na produção do cereal podem encarecer a alimentação animal e dificultar a recuperação da rentabilidade.
Segundo a consultoria, essa pressão merece atenção especialmente entre os produtores independentes, em um cenário no qual a melhora dos preços do suíno ainda precisa se traduzir em resultados positivos para a atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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