Publicado em: 24/06/2016 às 12:30hs
O acesso à energia limpa como o biogás é uma oportunidade para produtores rurais almejarem novas formas de gerar renda e energia, customizar o tempo no trabalho e melhorar a saúde e a nutrição. Visando levar esses benefícios às zonas mais distantes em países da América do Sul e Cetral, um grupo de profissionais da indústria, sociedade civil, meio acadêmico e Organizações Não-Governamentais (ONGs) fundaram a Rede de Biodigestores para a América Latina e o Caribe (RedBiolac).
A rede é uma iniciativa público-privada que atua para amenizar as mudanças climáticas e trabalhar com as energias renováveis por meio dos biodigestores anaeróbicos. Além disso, compartilham informações e benefícios da utilização do biogás, incentivam a gestão adequada dos recursos naturais e dos resíduos orgânicos e estreita as relações entre os países de atuação ao melhorar o bem-estar nessas regiões. O grupo surgiu de uma lista de discussão na internet e hoje conta com mais de 400 participantes que inclui outras atividades como trocas de experiências e soluções, defesas de políticas públicas e programas e projetos voltados para o biogás e a aplicação dos biodigestores domésticos.
A rede utiliza a biodigestão anaeróbica de pequena e média escala com o aproveito de diferentes tipos de matérias-primas, incluindo os dejetos dos animais. Segundo a coordenadora geral da RedBioLac Mariela Pino, esse sistema é fundamental para diminuir a contaminação das águas e resíduos derivados da produção de suinos e bovinos. “Há um potencial enorme de geração de energia e redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), substituindo os combustíveis fósseis por energias mais limpas. O consumo de energia por meio do biogás possibilita também vender a produção excedente para as centrais de distribuição de energia”, pontua a coordenadora.
Benefícios dos biodigestores domésticos
No último trimestre de 2015, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicou um boletim voltado à Agricultura Familiar para a América Latina e o Caribe destacando o trabalho da rede e os benefícios dos biodigestores no meio rural. Entre as vantagens, está a redução dos desgastes dos recursos naturais, diminuição da pobreza energética e ingestão calórica das famílias, contribuição para a cadeia de valor agrícola, geração de energia nas zonas mais distantes e produção de biofertilizantes, substituindo assim o uso de fertilizantes químicos. Além disso, contribui para a diversificação e auto-abastecimento de hortaliças e espécies comestíveis, torna-se um recurso alimentício para as famílias mais vulneráveis e oferece uma visão de permacultura voltadas para o cuidado e recuperação de espécies de plantas nativas.
A América Latina e o Caribe tem implementado os biodigestores para o processamento de matérias-primas. A energia produzida nas propriedades pode ser utilizada no aquecimento de água para cozimento nos domicílios e para higienização das instalações da produção rural. Em média, os biodigestores domésticos produzem cerca de 700 litros de gás por dia, quantidade suficiente para uma jornada de cozimento de três horas.
Abel Pezo Valles trabalha na gestão da RedBioLAc, no Peru, e no desenvolvimento produtivo e destaca o futuro e objetivos de apostar nessas fontes energéticas alternativas. “A tendência é que as tecnologias cheguem às famílias rurais, a fim de gerar qualidade de vida. Isso afeta , no futuro, o efeito estufa, de modo que o gás utilizado é o metano. São ações que têm muita eficácia para empresas e os pequenos produtores de suínos. Muitos vêm apostando nas energias renováveis,” diz.
Valles espera que o novo governo peruano continue apostando nessas iniciativas e que possa desenvolver mais projetos nas áreas rurais. “A tecnologia ainda é recente, mas percebemos que os cidadãos estão utilizando mais e se adequando. Penso que no futuro irá aumentar o uso e continuará trazendo benefícios para o povo. Tem-se trabalhado a cada ano nas zonas onde foi implementado as energias alternativas”, destaca.
Resultados da RedBioLac:
Atualmente, o grupo trabalha no intercâmbio internacional com apoio aos estudantes para aprenderem as boas práticas e realizarem trabalhos e pesquisas nos países de atuação da rede. Organizam seminários pela internet para propagar as experiências nas zonas rurais na aplicação dos biodgestores. Além de compilar materiais e documentos de pesquisa em uma biblioteca online com acesso público.
O grupo tem apoiado a criação de redes nacionais, como a RedBioCOl na Colômbia, de energia de biomassa. Além disso, a RedBioLac realiza anualmente um encontro aberto ao público em geral para troca de experiências e de resultados, além de um curso sobre biodigestores. Em 2016, será realizada a oitava edição na Costa Rica, em São José, entre os dias 7 e 11 de novembro, na sede do Instituto Interamericano de Cooperação da Agricultura (IICA). Peru, México, Nicaragua, Honduras, Colômbia e Chile foram os outros países sedes do encontro.
Para mais informações sobre a rede, acesse o seguinte endereço eletrônico: http://redbiolac.org/
Fonte: Projeto Suinocultura de Baixa Emissão de Carbono
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