Publicado em: 17/04/2026 às 18:40hs
O mercado brasileiro de carne suína registrou nova queda nos preços ao longo da semana, tanto no quilo do animal vivo quanto nos principais cortes comercializados no atacado. O movimento reflete a postura cautelosa da indústria nas negociações, diante de um cenário de oferta confortável e dificuldades no escoamento da produção.
Segundo análise da Safras & Mercado, o comportamento mais conservador dos frigoríficos sinaliza preocupação com o ritmo das vendas no mercado interno.
De acordo com o analista Allan Maia, a maior disponibilidade de animais no mercado tem pressionado as cotações. Ao mesmo tempo, há incertezas quanto à capacidade de absorção da carne suína no atacado.
Outro fator relevante é a concorrência com a carne de frango, que, mesmo apresentando leve recuperação de preços em algumas regiões do interior, ainda mantém valores competitivos, reduzindo a atratividade da proteína suína para o consumidor.
A queda no poder de compra das famílias na segunda metade do mês também contribui para o enfraquecimento da demanda. Esse cenário tem elevado a preocupação entre os suinocultores, especialmente em relação à redução das margens da atividade.
Apesar disso, as exportações seguem como ponto de sustentação parcial do mercado, impulsionadas principalmente pela demanda das Filipinas. Ainda assim, o ritmo externo não tem sido suficiente para equilibrar a oferta interna nas últimas semanas.
Levantamento da Safras & Mercado aponta que o preço médio do quilo do suíno vivo no Brasil caiu de R$ 6,22 para R$ 5,81 na semana.
No atacado, a média dos cortes de carcaça foi registrada em R$ 9,11, enquanto o pernil apresentou média de R$ 11,39.
A pressão sobre os preços foi observada em importantes regiões produtoras:
As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 104,528 milhões em abril, considerando sete dias úteis, com média diária de US$ 14,932 milhões.
O volume embarcado no período atingiu 43,252 mil toneladas, com média diária de 6,179 mil toneladas. O preço médio foi de US$ 2.416,7 por tonelada.
Na comparação com abril de 2025, houve aumento de 8% no valor médio diário exportado e crescimento de 11,7% no volume médio diário. Por outro lado, o preço médio registrou queda de 3,3%.
Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O cenário atual indica continuidade da pressão sobre os preços no curto prazo, com oferta elevada, consumo doméstico limitado e forte concorrência com outras proteínas.
Embora as exportações contribuam para reduzir parte da oferta interna, o setor ainda enfrenta desafios para recuperar margens e equilibrar o mercado nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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