Preço do suíno vivo sobe 12,28% em setembro com recuperação na segunda quinzena
Oferta mais ajustada e melhora no consumo interno sustentam valorização; carcaça avança 18,67%, enquanto produtores aguardam a consolidação da recuperação em outubro
Publicado em: 05/10/2026 às 17:20hs
O mercado brasileiro de suínos ganhou força na segunda quinzena de setembro, com a redução do desequilíbrio entre oferta e demanda e uma postura mais ativa dos frigoríficos nas compras. Segundo levantamento de Safras & Mercado, o preço médio do suíno vivo no Centro-Sul avançou 12,28% na comparação mensal, passando de R$ 4,77 para R$ 5,36 por quilo.
A recuperação também alcançou a carne no atacado. A carcaça suína registrou valorização de 18,67%, de R$ 7,50 para R$ 8,90 por quilo, enquanto o preço médio do pernil aumentou 8,36%, passando de R$ 9,49 para R$ 10,28 por quilo.
De acordo com Allan Maia, analista e consultor de Safras & Mercado, setembro foi marcado por duas fases distintas. Na primeira metade do mês, as cotações apresentaram pouca variação, diante de uma oferta de animais e de carne ainda desajustada. Na segunda quinzena, o maior equilíbrio do mercado abriu espaço para reajustes mais expressivos.
Demanda interna e compras da indústria impulsionam preços
A mudança no comportamento dos frigoríficos contribuiu para a valorização do suíno vivo. Com maior interesse da indústria pelas aquisições e melhora no escoamento da carne no mercado doméstico, as negociações passaram a encontrar condições mais favoráveis.
Segundo Maia, a combinação desses fatores reduziu a pressão da oferta e deu sustentação à recuperação das cotações nas últimas semanas de setembro.
O movimento trouxe algum alívio aos suinocultores após um período prolongado de dificuldades. O analista ressalta que, durante grande parte de 2026, os preços apresentaram trajetória predominantemente de queda, com recuperação mais consistente apenas recentemente.
Apesar do maior otimismo, os produtores mantêm cautela. Muitos ainda acumulam prejuízos dos meses anteriores e dependem da continuidade dos reajustes para melhorar os resultados da atividade.
Mercado de suínos inicia outubro com expectativa positiva
A perspectiva para a primeira quinzena de outubro é favorável, conforme a avaliação de Safras & Mercado. A entrada dos salários na economia tende a ampliar a capacidade de consumo das famílias e estimular a procura por proteínas animais.
Outro fator de sustentação é a competitividade da carne suína em relação à bovina. Mesmo após as valorizações recentes, o produto permanece como uma alternativa de compra para o consumidor.
A intensidade da recuperação, contudo, dependerá da continuidade do escoamento da carne e do equilíbrio da oferta de animais destinados ao abate.
Suíno vivo registra altas nas principais regiões produtoras
Em São Paulo, a arroba suína passou de R$ 95,00 para R$ 114,00 no levantamento mensal de Safras & Mercado.
No Rio Grande do Sul, o preço do quilo vivo no interior avançou de R$ 4,65 para R$ 5,40, enquanto a cotação na integração permaneceu em R$ 4,80. Em Santa Catarina, o mercado do interior registrou alta de R$ 4,60 para R$ 5,35 por quilo, com estabilidade em R$ 4,65 na integração.
No Paraná, o suíno vivo no mercado livre passou de R$ 4,60 para R$ 5,40 por quilo. Nas operações integradas, o valor continuou em R$ 5,05.
Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a cotação aumentou de R$ 4,70 para R$ 5,30 por quilo, enquanto a integração manteve o preço de R$ 4,65. Em Goiânia, houve avanço de R$ 4,90 para R$ 5,80 por quilo.
Em Minas Gerais, o levantamento apontou alta de R$ 5,00 para R$ 6,20 por quilo no interior e de R$ 5,20 para R$ 6,40 no mercado independente.
Já em Rondonópolis, em Mato Grosso, o quilo vivo subiu de R$ 5,00 para R$ 5,45. Na integração estadual, a referência permaneceu em R$ 4,65.
Exportações ajudam a ajustar oferta, mas preço médio recua
Na avaliação de Maia, o ritmo dos embarques de carne suína contribui para absorver parte da produção brasileira e ajustar a disponibilidade no mercado interno, oferecendo suporte adicional às cotações.
Nos dados apresentados para setembro, referentes a 18 dias úteis, as exportações brasileiras de carne suína in natura somaram 106,715 mil toneladas e geraram receita de US$ 242,953 milhões. As médias diárias foram de 5,928 mil toneladas e US$ 13,497 milhões, respectivamente.
O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 2.276,60. Na comparação com setembro de 2025, a receita média diária caiu 14,2%, enquanto o volume médio diário recuou 2,7%. O preço médio apresentou redução de 11,8%.
Esse valor permanece como ponto de atenção para o setor. Segundo o analista, após cair nas últimas semanas, o preço médio de exportação passou a apresentar maior estabilidade, sem uma direção definida de alta ou baixa.
Fonte: Portal do Agronegócio
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