Suíno

Preço do suíno despenca em abril com excesso de oferta, apesar de exportações aquecidas

Queda nas cotações do suíno vivo supera 13% no Brasil, pressionada por alta nos abates e demanda interna fraca; embarques seguem em ritmo recorde


Publicado em: 04/05/2026 às 10:10hs

Preço do suíno despenca em abril com excesso de oferta, apesar de exportações aquecidas

O mercado brasileiro de suínos encerrou abril com forte pressão sobre os preços, refletindo um cenário de oferta elevada tanto de animais quanto de carne. A queda foi mais intensa no valor pago ao produtor pelo quilo vivo, evidenciando desequilíbrio entre produção e consumo no mercado interno.

De acordo com análise de Safras & Mercado, o movimento de baixa foi parcialmente compensado pelo bom desempenho das exportações, que seguem em ritmo elevado e ajudam a reduzir o excedente doméstico.

Oferta elevada pressiona preços

O principal fator por trás da queda nas cotações foi o aumento significativo nos abates registrados em março, que cresceram cerca de 7% na comparação anual. Esse volume maior de carne disponível no mercado impactou diretamente os preços ao longo de abril.

Ao mesmo tempo, a demanda interna permaneceu enfraquecida, influenciada principalmente pela concorrência com a carne de frango, que apresentou preços mais competitivos e ganhou espaço no consumo.

Outro fator relevante foi o alto nível de endividamento das famílias, que limita o consumo, especialmente no primeiro semestre, período já marcado por menor apetite do mercado devido ao pagamento de tributos e às temperaturas mais elevadas.

Queda generalizada nas cotações

Levantamento aponta que o preço médio do quilo do suíno vivo no Brasil caiu 13,36% em abril, passando de R$ 6,42 para R$ 5,66.

No atacado, os cortes também registraram retração:

  • Carcaça: queda de 10,29%, de R$ 9,84 para R$ 8,83
  • Pernil: recuo de 3,73%, de R$ 11,86 para R$ 11,41

Nas principais praças produtoras, o movimento de baixa foi ainda mais acentuado:

  • São Paulo: arroba caiu 17,46%, de R$ 126,00 para R$ 104,00
  • Paraná: queda de 21,21% no mercado livre, de R$ 6,60 para R$ 5,20
  • Santa Catarina: recuo de até 20,16% no interior
  • Rio Grande do Sul: baixa de 18,32% no interior
  • Mato Grosso do Sul: queda de 16% em Campo Grande
  • Goiás: retração de 17,46% em Goiânia
  • Minas Gerais: recuo de 12,31% no interior
  • Mato Grosso: queda de 11,11% em Rondonópolis

Na integração, as variações foram mais moderadas, refletindo maior estabilidade nos contratos entre produtores e frigoríficos.

Exportações sustentam o setor

Apesar da pressão interna, o desempenho das exportações segue como fator de sustentação para o setor. Em abril, o Brasil manteve ritmo forte nos embarques de carne suína.

Nos primeiros 16 dias úteis do mês, as exportações de carne suína in natura somaram US$ 254,736 milhões, com média diária de US$ 15,921 milhões. O volume embarcado chegou a 102,480 mil toneladas, com média diária de 6,405 mil toneladas.

O preço médio ficou em US$ 2.485,7 por tonelada.

Na comparação com abril de 2025, os dados indicam:

  • Alta de 15,1% no valor médio diário
  • Crescimento de 15,8% no volume médio diário
  • Leve recuo de 0,5% no preço médio

A expectativa do mercado é de que o volume total exportado, incluindo produtos industrializados, supere 140 mil toneladas no mês.

Perspectivas para o mercado

A tendência é que o movimento de queda nos preços perca intensidade nas próximas semanas, à medida que o consumo interno apresente alguma recuperação e os preços da carne de frango comecem a subir.

Ainda assim, o equilíbrio entre oferta e demanda seguirá como principal variável para o setor, com o desempenho das exportações sendo determinante para sustentar as cotações no curto prazo.

Para o produtor, o cenário exige atenção redobrada aos custos e à gestão da produção, diante de margens pressionadas e volatilidade no mercado doméstico.

Fonte: Portal do Agronegócio

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