Publicado em: 04/05/2026 às 10:10hs
O mercado brasileiro de suínos encerrou abril com forte pressão sobre os preços, refletindo um cenário de oferta elevada tanto de animais quanto de carne. A queda foi mais intensa no valor pago ao produtor pelo quilo vivo, evidenciando desequilíbrio entre produção e consumo no mercado interno.
De acordo com análise de Safras & Mercado, o movimento de baixa foi parcialmente compensado pelo bom desempenho das exportações, que seguem em ritmo elevado e ajudam a reduzir o excedente doméstico.
O principal fator por trás da queda nas cotações foi o aumento significativo nos abates registrados em março, que cresceram cerca de 7% na comparação anual. Esse volume maior de carne disponível no mercado impactou diretamente os preços ao longo de abril.
Ao mesmo tempo, a demanda interna permaneceu enfraquecida, influenciada principalmente pela concorrência com a carne de frango, que apresentou preços mais competitivos e ganhou espaço no consumo.
Outro fator relevante foi o alto nível de endividamento das famílias, que limita o consumo, especialmente no primeiro semestre, período já marcado por menor apetite do mercado devido ao pagamento de tributos e às temperaturas mais elevadas.
Levantamento aponta que o preço médio do quilo do suíno vivo no Brasil caiu 13,36% em abril, passando de R$ 6,42 para R$ 5,66.
No atacado, os cortes também registraram retração:
Nas principais praças produtoras, o movimento de baixa foi ainda mais acentuado:
Na integração, as variações foram mais moderadas, refletindo maior estabilidade nos contratos entre produtores e frigoríficos.
Apesar da pressão interna, o desempenho das exportações segue como fator de sustentação para o setor. Em abril, o Brasil manteve ritmo forte nos embarques de carne suína.
Nos primeiros 16 dias úteis do mês, as exportações de carne suína in natura somaram US$ 254,736 milhões, com média diária de US$ 15,921 milhões. O volume embarcado chegou a 102,480 mil toneladas, com média diária de 6,405 mil toneladas.
O preço médio ficou em US$ 2.485,7 por tonelada.
Na comparação com abril de 2025, os dados indicam:
A expectativa do mercado é de que o volume total exportado, incluindo produtos industrializados, supere 140 mil toneladas no mês.
A tendência é que o movimento de queda nos preços perca intensidade nas próximas semanas, à medida que o consumo interno apresente alguma recuperação e os preços da carne de frango comecem a subir.
Ainda assim, o equilíbrio entre oferta e demanda seguirá como principal variável para o setor, com o desempenho das exportações sendo determinante para sustentar as cotações no curto prazo.
Para o produtor, o cenário exige atenção redobrada aos custos e à gestão da produção, diante de margens pressionadas e volatilidade no mercado doméstico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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