Publicado em: 15/05/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de suínos encerrou a semana com preços entre estáveis e levemente mais altos nas principais regiões produtoras do país. O setor começa a perceber sinais de recuperação da demanda doméstica, ao mesmo tempo em que as exportações continuam em ritmo positivo, sustentando as perspectivas para a cadeia suinícola.
Segundo análise da consultoria Safras & Mercado, o ambiente de negócios mostra melhora gradual no consumo, favorecida principalmente pela maior competitividade da carne suína diante das demais proteínas animais.
De acordo com o analista Allan Maia, o mercado começa a registrar uma percepção mais otimista em relação ao consumo, após semanas de forte pressão sobre os preços.
A recuperação das cotações da carne de frango, principal proteína concorrente da suinocultura, também contribui para aumentar a atratividade da carne suína no varejo brasileiro.
Além disso, o movimento de reposição entre atacado e varejo mostra melhora gradual, embora ainda insuficiente para provocar altas mais expressivas nas cotações.
Mesmo com o avanço da demanda, a indústria segue adotando postura cautelosa nas compras de animais vivos, buscando limitar reajustes enquanto monitora o comportamento do mercado consumidor.
No mercado físico, as negociações permanecem disputadas, mas a oferta de animais ainda atende de forma confortável a demanda dos frigoríficos.
Esse equilíbrio entre produção elevada e consumo em recuperação impede movimentos mais agressivos de valorização no curto prazo.
Ainda assim, o setor encontra suporte importante nas exportações brasileiras, que seguem aquecidas e ajudam a reduzir parte da pressão sobre o mercado interno.
Levantamento da Safras & Mercado aponta que a média nacional do quilo do suíno vivo avançou de R$ 5,46 para R$ 5,52 ao longo da semana.
No atacado, a média dos cortes de carcaça passou de R$ 8,97 para R$ 9,00 por quilo, enquanto o preço médio do pernil permaneceu em R$ 11,43.
Em São Paulo, a arroba suína registrou leve alta, passando de R$ 103 para R$ 104.
Santa Catarina apresentou valorização no mercado independente, com o quilo vivo subindo de R$ 5,15 para R$ 5,25, enquanto o Paraná manteve estabilidade em R$ 5,10 no mercado livre.
Minas Gerais registrou um dos movimentos mais fortes da semana. No interior do estado, os preços avançaram de R$ 5,70 para R$ 5,90, enquanto no mercado independente chegaram a R$ 6,10 por quilo.
Em Goiás, as cotações também reagiram, passando de R$ 5,15 para R$ 5,35.
As exportações brasileiras continuam sendo um dos principais pilares de sustentação do setor em 2026.
Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 28,23 mil toneladas de carne suína in natura nos cinco primeiros dias úteis de maio.
O faturamento no período alcançou US$ 70,28 milhões, com média diária de US$ 14,05 milhões.
Na comparação com maio de 2025, o volume médio diário exportado avançou 11,9%, enquanto a receita média diária registrou crescimento de 7,6%.
O preço médio da tonelada ficou em US$ 2.489,50, apresentando recuo de 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar da melhora no cenário, a cadeia produtiva segue atenta aos custos de produção, especialmente relacionados à alimentação animal e ao comportamento do milho no mercado interno.
A expectativa do setor é que a recuperação gradual do consumo doméstico, somada ao desempenho consistente das exportações, contribua para melhorar as margens da atividade ao longo do segundo semestre.
Com a carne suína ainda competitiva no varejo brasileiro e o mercado externo aquecido, produtores e frigoríficos trabalham com perspectiva de maior estabilidade nas próximas semanas, embora o ritmo de valorização dependa diretamente da evolução da demanda interna.
Fonte: Portal do Agronegócio
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