Publicado em: 13/02/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de carne suína segue pressionado por um cenário de preços em queda e baixa demanda interna. Segundo análise da Safras & Mercado, o setor ainda não apresenta sinais consistentes de recuperação, com os frigoríficos mantendo uma postura conservadora diante da fragilidade nas cotações tanto do animal vivo quanto dos principais cortes no atacado.
De acordo com o analista Allan Maia, da Safras & Mercado, mesmo com o aumento temporário da renda devido à entrada da massa salarial, o movimento de consumo não tem sido suficiente para impulsionar os preços.
“No varejo, as quedas observadas foram pontuais e não sustentaram uma melhora no escoamento dos cortes suínos”, avalia o especialista.
Além disso, as temperaturas elevadas típicas do verão e a concorrência com a carne de frango, que também registra preços mais baixos, contribuem para a fraqueza no consumo interno.
Maia ressalta que, diante desse quadro, as exportações continuam sendo o principal fator de equilíbrio para o mercado, ajudando a ajustar a oferta e sustentar os preços no mercado doméstico.
Levantamento semanal da Safras & Mercado mostra recuos generalizados nas cotações do suíno vivo em diversas praças produtoras. A média nacional caiu de R$ 6,73 para R$ 6,67 por quilo, refletindo a pressão sobre a rentabilidade do setor.
No atacado, a média do pernil ficou em R$ 11,96 por quilo, enquanto a carcaça suína teve preço médio de R$ 10,33.
Apesar do cenário interno desafiador, as exportações de carne suína “in natura” seguem em ritmo positivo. Segundo dados da Secex, nos primeiros cinco dias úteis de fevereiro de 2026, o Brasil embarcou 27,9 mil toneladas, com média diária de 5,6 mil toneladas.
O volume exportado rendeu US$ 68,99 milhões, com média diária de US$ 13,79 milhões, e preço médio de US$ 2.467 por tonelada.
Em comparação com o mesmo período de fevereiro de 2025, houve aumento de 8,9% no valor médio diário e alta de 10,6% na quantidade exportada, embora o preço médio tenha recuado 1,6%.
Analistas destacam que a recuperação dos preços internos dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda, além do comportamento das exportações ao longo do primeiro trimestre. O bom desempenho das vendas externas, especialmente para mercados asiáticos, pode ajudar a conter a pressão sobre os preços no mercado doméstico.
No entanto, o consumo interno ainda é limitado, e os custos de produção seguem altos, o que mantém o cenário de cautela entre produtores e frigoríficos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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