Publicado em: 06/04/2026 às 10:30hs
O cenário atual do setor leiteiro no Paraná indica perspectiva de aumento na remuneração ao produtor, mesmo que esse movimento ainda não tenha sido totalmente repassado. É o que aponta o Boletim Conjuntural divulgado pelo Deral, órgão vinculado à Seab.
No mercado varejista, os preços já registram elevação significativa. O leite longa vida teve alta de 17%, enquanto o leite em pó subiu 8,8%, com média de R$ 4,52 por unidade.
Segundo o analista do Deral, Thiago De Marchi, o repasse ao produtor ocorre de forma gradual devido aos prazos da indústria. No entanto, a tendência é de valorização no pagamento por litro entregue nas próximas semanas.
O boletim também destaca o bom desempenho do segmento de proteínas animais, especialmente a suinocultura e a avicultura.
Na suinocultura, o crescimento tem sido expressivo e consistente. Em dez anos, a produção de carne suína no Paraná avançou 57,7%, passando de 777,74 mil toneladas em 2016 para 1,23 milhão de toneladas em 2025. O dado indica ganho de eficiência produtiva, com abates de animais mais pesados.
No cenário nacional, a produção também evoluiu, com crescimento de 52,4% no mesmo período.
Já a avicultura mantém forte desempenho no mercado externo. No primeiro bimestre de 2026, as exportações brasileiras de carne de frango somaram US$ 1,788 bilhão, com alta de 7,7% no faturamento. O Paraná lidera o setor, respondendo por 42,9% do volume exportado pelo país.
O segmento de carne de peru também se destacou, com aumento de 107,6% na receita cambial, impulsionado pela valorização de 97,8% no preço médio da carne in natura.
A cultura da cebola tem se destacado pelo avanço em produtividade, reflexo direto da adoção de tecnologias no campo. Mesmo com redução de 12,8% na área plantada desde 2015, o Brasil registrou aumento de 16,1% na produção em 2024, elevando a produtividade em 33,1%.
No Paraná, os preços também reagiram com força. O valor pago ao produtor subiu de R$ 0,82/kg em fevereiro para R$ 1,18/kg em março, avanço de 44,9%.
No varejo, o consumidor também sentiu a alta: a cebola pera nacional passou de R$ 1,75/kg para R$ 2,50/kg no mesmo período, um aumento de 42,9%.
O plantio da segunda safra de milho 2025/26 está praticamente concluído no Paraná, atingindo 99% da área estimada de 2,86 milhões de hectares.
Apesar de 91% das lavouras apresentarem boas condições, o mês de março foi marcado por adversidades climáticas, como chuvas irregulares e ondas de calor. Segundo o Deral, 8% das áreas estão em condição média e 1% em situação ruim, o que pode impactar negativamente a produtividade final.
A cultura da mandioca segue em fase de ajustes no estado. Mesmo com custos elevados, especialmente de arrendamento, há expectativa de crescimento de 6% na área colhida em 2026, com produção podendo superar 4 milhões de toneladas.
Por outro lado, os preços apresentam retração. No primeiro trimestre de 2026, os valores estão cerca de 21% menores em comparação ao mesmo período de 2025. Diante desse cenário, produtores têm optado por manter as lavouras para um segundo ciclo, buscando ganhos de produtividade para compensar as margens mais apertadas.
O boletim do Deral evidencia um cenário de transição no agronegócio paranaense, com valorização gradual no leite, força das proteínas animais e desafios climáticos e de mercado em algumas culturas.
A tendência para os próximos meses é de continuidade nos ajustes, com o produtor atento aos custos, à produtividade e às oportunidades de mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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