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Suíno

Carne suína enfrenta pressão no mercado interno com excesso de oferta, enquanto exportações seguem em ritmo recorde

Excedente de carne no atacado limita reação dos preços pagos ao produtor, mesmo com demanda aquecida na segunda quinzena e forte avanço das exportações brasileiras.


Publicado em: 10/07/2026 às 14:30hs

Carne suína enfrenta pressão no mercado interno com excesso de oferta, enquanto exportações seguem em ritmo recorde
Foto: Ari Dias

O mercado brasileiro de carne suína continua enfrentando um cenário de pressão sobre os preços no mercado interno. O excesso de oferta de animais para abate e o elevado volume de carne disponível no atacado mantêm a indústria cautelosa nas compras, dificultando a recuperação das cotações do suíno vivo, apesar do desempenho histórico das exportações em 2026.

Segundo análise da Safras & Mercado, a combinação entre oferta confortável e demanda ainda insuficiente para absorver o excedente de produção continua sendo o principal fator de pressão sobre a cadeia produtiva.

Oferta elevada mantém preços pressionados

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, o setor segue enfrentando dificuldades para sustentar altas consistentes nos preços.

A maior disponibilidade de animais para abate e o excedente de carne no atacado fazem com que os frigoríficos adotem uma postura mais conservadora na aquisição de suínos vivos, reduzindo o poder de negociação dos produtores.

Embora fatores sazonais possam favorecer o consumo, o cenário ainda inspira cautela.

"A maior capitalização da população na segunda quinzena do mês, impulsionada pelo pagamento dos salários, aliada às temperaturas mais amenas e aos preços competitivos da carne suína, pode estimular a demanda no varejo. Ainda assim, movimentos consistentes de alta tendem a ser limitados neste período", avalia Allan Maia.

Margens negativas preocupam os produtores

A pressão sobre as cotações também aumenta a preocupação entre os suinocultores.

Segundo a Safras & Mercado, muitos produtores operam atualmente com margens negativas, reflexo da dificuldade em repassar custos ao mercado interno.

Apesar do excelente desempenho das exportações brasileiras ao longo do primeiro semestre, o crescimento das vendas externas ainda não foi suficiente para reduzir o excedente de oferta e equilibrar o mercado doméstico.

Preços apresentam estabilidade no suíno vivo e queda nos cortes

Levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio do quilo do suíno vivo no Brasil permaneceu em R$ 5,25 na última semana.

Já os principais cortes comercializados no atacado registraram leve recuo:

  • Carcaça: de R$ 8,83 para R$ 8,82 por quilo;
  • Pernil: de R$ 10,81 para R$ 10,59 por quilo.

Nas principais regiões produtoras, predominou a estabilidade das cotações.

Em São Paulo, a arroba suína permaneceu em R$ 102,00. No Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, os preços apresentaram poucas variações, enquanto o Paraná registrou queda no mercado livre, com o quilo vivo passando de R$ 5,00 para R$ 4,95.

Exportações seguem em alta e reforçam competitividade brasileira

Enquanto o mercado interno enfrenta dificuldades, o comércio exterior continua apresentando resultados positivos.

Nos três primeiros dias úteis de julho, as exportações brasileiras de carne suína in natura movimentaram US$ 52,63 milhões, com embarques de 20,57 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A média diária alcançou US$ 17,54 milhões em receita e 6,86 mil toneladas embarcadas, mantendo o ritmo elevado observado ao longo do primeiro semestre.

Na comparação com julho de 2025, o desempenho demonstra forte expansão:

  • alta de 35,8% na receita média diária;
  • crescimento de 39,8% no volume médio diário exportado;
  • recuo de 2,8% no preço médio por tonelada, que ficou em US$ 2.558,80.
Mercado interno segue como principal desafio da suinocultura

Apesar da excelente performance das exportações, o mercado doméstico continua sendo o principal ponto de atenção para a cadeia suinícola brasileira.

O elevado volume de carne disponível no atacado limita a recuperação das cotações do produtor, enquanto o setor aguarda uma melhora gradual do consumo interno ao longo da segunda quinzena do mês.

A expectativa dos agentes de mercado é que a combinação entre maior circulação de renda, preços competitivos da proteína e continuidade das exportações possa contribuir para reduzir parte da pressão sobre o mercado nas próximas semanas, ainda que uma recuperação mais consistente dependa do equilíbrio entre oferta e demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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