Suíno

Um olhar de alta performance na terminação de suínos

O treinamento e a conscientização dos colaboradores na informação dos dados corretos de produção, gestão à vista, reuniões para discussão de resultados, assim como metas claras e atingíveis, são primordiais para o diagnóstico correto de baixa produtividade e, consequentemente, adoção das ações corretivas


Publicado em: 01/02/2022 às 08:30hs

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Na suinocultura, as fases de crescimento e terminação são consideradas complexas e sujeitas a muitas variáveis, com grandes transformações nos índices de desempenho (Silva et al., 2015).  Fatores relacionados ao manejo, bem como nutrição, sanidade,  genética e ambiência podem afetar o desempenho dos suínos do crescimento até o  abate (Heck, 2009).

É comum que os funcionários do setor de crescimento e terminação exerçam suas atividades sem o conhecimento básico dos indicadores de produção, muitas vezes, até sem o devido preparo com relação a leitura e escrita,  realidade que precisa ser trabalhada com o básico necessário para operar as diversas ações em conjunto para o objetivo, que é produzir mais e melhor ao menor  custo possível.

Se imagine dirigindo em uma rodovia e, logo a frente, você vê uma placa indicando a velocidade máxima de 80 quilômetros por hora, imediatamente, caso esteja rodando em velocidade superior a indicada, você irá usar os recursos disponíveis, no caso o freio, para  ajustar sua velocidade e, então, entregar o que está sendo sinalizado. Quando vemos um           exemplo como esse nos parece óbvio, pois estamos apenas fazendo o básico.

Agora vamos nos imaginar dentro de um barracão de terminação, onde não temos nenhuma informação, não sabemos quais são os indicadores de produtividade que devemos seguir, como estamos posicionados em relação a eles,  e, obviamente, não vamos tomar nenhuma ação de correção. Afinal, não sabemos onde  estamos e para onde vamos. E é dessa forma que, frequentemente, vemos várias terminações com conversões alimentares 15%, 20% ou mais, acima do que é preconizado, enquanto na rotina de atividades do seu dia a dia, estão passando um  radar de 80 km por hora a 120 km,m sem se preocupar em ser multado ou, até mesmo, com o risco de sofrer acidentes.

Nossa intenção é mostrar que pequenas e simples ações são importantes para a uma melhor rentabilidade do negócio e, na maioria das vezes, não dependem de grandes investimentos.

Primeiramente, é importante entender o cenário macro para ver se iremos desenhar dietas para manejo em Tempo Fixo ou Peso Fixo. Esse é um ponto de partida que fará sentido a todos os próximos passos. Você pode estar se perguntando a real diferença entre um ou outro, veja a seguir:

  • O manejo de Tempo Fixo é aplicado em lotes de terminação onde não temos espaço extra de instalações, sendo assim, quando os animais chegam a determinada idade precisam ser todos comercializados independentemente do peso  atingido e, muitas vezes, com dietas mais caras na busca de vender animais pesados.
  • Já no manejo em Peso Fixo, temos a possibilidade de aguardar até que os animais atinjam a meta de peso preconizado, para então serem comercializados para abate.       Para essa opção, precisamos ter instalações que permitam manter os animais até que atinjam o peso desejado, demandando mais investimento em instalações devido às variações de performance lote a lote e estratégias nutricionais adotadas de acordo com o custo de matérias primas. De acordo com Zagury (2002), as indústrias frigoríficas consideram vantajosa a produção de suínos com alto peso de abate em torno, ou mesmo acima, de 130 kg.

Logo, para essas duas estratégias de manejo, é importante uma equipe profissional para ajudar a avaliar o ponto econômico ótimo como ferramenta efetiva para maximização da margem de lucro no cenário escolhido.

Nas instalações é importante que as informações estejam bem claras e compreendidas, em fichas ou quadros de fácil visualização, com acompanhamento de todos, colocando em prática a gestão à vista, tais como: identificação do lote, número de animais, alvos para ganho de peso diário (GPD), conversão alimentar (CA) e mortalidade, além da taxa de refugos, fases de arraçoamento, curva de consumo de ração e data prevista para abate. Dessa forma, os colaboradores e os técnicos podem tomar as decisões de forma mais rápida e assertiva para buscar o melhor desempenho.

Diante dessas informações, é indispensável que toda a equipe seja bem orientada, conhecendo e compreendendo todos os manejos necessários, bem  como, sua interferência em cada indicador zootécnico, para não cruzar o radar de 80 km a 120 km por hora, sem perceber o erro, prejudicando assim o desempenho  do lote por falta de acompanhamentos e monitorias, os quais podem ser realizados diariamente sem demandar grandes investimentos e mudança em estruturas.

Os melhores resultados de GPD e CA são alcançados por produtores que atuam com esses cuidados de forma profissional:

  • Procedimentos bem definidos em forma de check-list das instalações antes  do alojamento os animais;
  • Acompanhamento de desempenho por fase, através de baias “sentinelas”, aferindo GPD e CA, com objetivo de realizar as correções nutricionais, sanitárias e de manejo no momento certo;
  • Acompanhamento do consumo de ração diário ou semanal, a cada lote, comparando o consumo real com o previsto, estimulando o consumo nas fases de crescimento e controlando nas fases de terminação, quando necessário;
  • Assistência técnica comprometida com os resultados e as ações definidas em conjunto com colaboradores e proprietários.

Agora, você,  deve estar se perguntando por onde posso começar a me organizar para ter informações e melhorar meu desempenho. Para isso, podemos deixar como sugestão as informações básicas e que devem estar de forma clara e à vista em todo lote da granja:

  • Data de início do lote;
  • Número de animais na abertura do lote;
  • Idade e peso médio na chegada;
  • Mortalidade;
  • Consumo de ração previsto e realizado ;
  • Data de previsão de venda.

Um segundo passo é estabelecer um plano de ação para estruturar as avaliações que serão feitas a cada encerramento de lote, indicando padronização de atividades e ações corretivas para melhoria constante de  resultados.

Ter um olhar diferente para a fase de terminação, com investimento em equipe, estrutura, assistência técnica qualificada, parceria com uma empresa de nutrição, formulando para o máximo de desempenho com custo-benefício, são estratégias acertadas e que certamente irão proporcionar melhor desempenho e  lucratividade na suinocultura.

Jeovane Vicente de Souza - Assessor Técnico Suínos Vaccinar

Fonte: Assessoria 2 Press Comunicação

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