Publicado em: 27/01/2026 às 07:30hs
Com a chegada dos meses mais quentes, a avicultura volta a lidar com um dos maiores desafios da produção animal: o estresse térmico. As altas temperaturas, cada vez mais frequentes e intensas, afetam o metabolismo das aves, prejudicando o consumo de ração, a eficiência fisiológica e, consequentemente, o desempenho produtivo dos plantéis.
Segundo a médica-veterinária e coordenadora de especialidades da Quimtia Brasil, Ana Paula Fernandes, o segredo para minimizar esses impactos está no planejamento nutricional antecipado.
De acordo com Ana Paula, preparar a dieta dos animais antes dos períodos críticos permite que o sistema produtivo se adapte ao calor, reduzindo perdas econômicas e riscos sanitários.
Ela explica que o planejamento nutricional atua em diferentes frentes: desde o ajuste da densidade energética das rações, passando pelo balanceamento eletrolítico, até a inclusão de aditivos funcionais.
“Essas medidas garantem a integridade intestinal, o equilíbrio ácido-base e a imunidade das aves, mesmo em condições adversas. Além disso, mantêm a uniformidade dos lotes, a qualidade de carcaça e a persistência produtiva, fatores essenciais para a rentabilidade da atividade”, destaca a especialista.
O estresse térmico ocorre quando o animal produz mais calor do que consegue dissipar, provocando mudanças fisiológicas e comportamentais.
Para evitar isso, ajustes na densidade energética e no perfil de aminoácidos digestíveis ajudam a diminuir o calor gerado durante a digestão — conhecido como incremento calórico.
“Ao reduzir o excesso de proteína na dieta, há menor produção de calor metabólico e redução da excreção de nitrogênio, processos que demandam alto gasto energético. O resultado é menor sobrecarga térmica e melhor capacidade de termorregulação, preservando o desempenho produtivo”, explica Ana Paula.
Os sintomas do estresse térmico podem ser identificados por mudanças no comportamento e na fisiologia das aves. Entre os principais sinais estão:
“A identificação precoce desses sinais é essencial para a adoção imediata de medidas corretivas, evitando perdas mais severas na produção”, alerta a médica-veterinária.
Uma estratégia com alto potencial de eficácia, mas ainda subutilizada, é o uso de soluções eletrolíticas via água de bebida.
Durante o calor intenso, a hiperventilação das aves provoca alcalose respiratória e desequilíbrios eletrolíticos. O uso técnico de soluções contendo sódio, potássio e cloro ajuda a restabelecer o equilíbrio do pH sanguíneo, melhorar a hidratação celular e manter funções vitais, como a contração muscular e a digestão.
“Quando incorporada ao planejamento nutricional e hídrico, essa prática pode reduzir a mortalidade, preservar a conversão alimentar e garantir maior estabilidade produtiva dos lotes”, conclui Ana Paula.
Em um cenário de aquecimento global e ondas de calor cada vez mais severas, o planejamento nutricional estratégico se consolida como uma ferramenta essencial para proteger o desempenho das aves e assegurar a rentabilidade da avicultura.
Com ações antecipadas e manejo adequado, é possível minimizar os efeitos do estresse térmico, preservar o bem-estar animal e manter alta eficiência produtiva ao longo de todo o ciclo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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