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Nutrição

Estresse térmico em poedeiras pode reduzir consumo de ração em mais de 30% e afetar produção de ovos

Calor intenso prejudica a ingestão de nutrientes, a taxa de postura e a qualidade da casca; ajustes na alimentação e no ambiente ajudam a minimizar perdas


Publicado em: 16/10/2026 às 09:00hs

Estresse térmico em poedeiras pode reduzir consumo de ração em mais de 30% e afetar produção de ovos

O estresse térmico em galinhas poedeiras pode provocar uma redução superior a 30% no consumo de ração, comprometendo o desempenho dos lotes e a rentabilidade da produção de ovos. O alerta é de Jhony Gilio, médico-veterinário da Auster Nutrição Animal, que destaca a importância de combinar manejo nutricional, controle do ambiente e acompanhamento dos indicadores produtivos.

Com a menor ingestão de alimento, as aves passam a consumir menos energia, aminoácidos, vitaminas e minerais essenciais à postura. Segundo o especialista, esse desequilíbrio afeta o metabolismo e reduz a disponibilidade de nutrientes necessários para manter a produtividade e a qualidade dos ovos.

Os efeitos do calor, porém, vão além da alimentação. Alterações respiratórias e hormonais também podem reduzir a taxa de postura e aumentar a ocorrência de ovos com cascas frágeis.

Como o calor compromete a qualidade da casca dos ovos

Para dissipar o excesso de calor corporal, as aves aumentam a frequência respiratória, comportamento conhecido como arfagem. Como não possuem glândulas sudoríparas, a respiração é um dos principais mecanismos utilizados para o resfriamento do organismo.

A intensificação desse processo aumenta a eliminação de dióxido de carbono e pode provocar alcalose respiratória, um desequilíbrio ácido-base. Conforme Gilio, essa alteração reduz a disponibilidade de bicarbonato, componente importante para a formação do carbonato de cálcio que constitui a casca dos ovos.

O resultado pode ser o aumento de ovos com casca fina, trincados ou quebrados, reduzindo o aproveitamento comercial da produção.

Alterações hormonais podem reduzir a taxa de postura

O calor intenso também estimula a produção de corticosterona, hormônio associado ao estresse. Segundo o médico-veterinário, essa resposta interfere na atividade reprodutiva e contribui para a queda da taxa de postura.

A combinação entre menor consumo de nutrientes e alterações metabólicas pode prejudicar a conversão alimentar e reduzir a produtividade. Em situações mais severas, o estresse térmico pode elevar a mortalidade das aves e afetar a oferta de ovos nos períodos seguintes.

Temperatura e umidade dos galpões exigem atenção

De acordo com Gilio, galpões podem registrar temperaturas entre 35 °C e 40 °C durante períodos de calor intenso, por vezes acompanhadas de umidade elevada. Essas condições dificultam a dissipação do calor e aumentam o estresse fisiológico.

O especialista aponta uma faixa de conforto térmico em torno de 18 °C a 24 °C, com umidade relativa entre 50% e 65%, para as principais linhagens comerciais.

O acompanhamento das condições internas do galpão é, portanto, parte do manejo necessário para preservar a saúde das aves e o desempenho da produção.

Densidade nutricional ajuda a compensar menor consumo

Quando as poedeiras reduzem a ingestão de ração, o ajuste da densidade nutricional da dieta ganha importância. O objetivo, explica o veterinário, é fornecer mais nutrientes por grama de alimento consumido.

Para isso, ele destaca o uso de ingredientes de alta biodisponibilidade e a adequação da formulação às necessidades do lote. A estratégia busca minimizar o déficit nutricional provocado pela queda no consumo.

Esses ajustes devem ser acompanhados pelo monitoramento periódico dos indicadores de desempenho, permitindo identificar alterações e agir antes que as perdas se agravem.

Nutrição e ambiência precisam atuar em conjunto

O manejo alimentar deve ser combinado com boas condições de ventilação e controle da umidade. Segundo Gilio, a atuação conjunta sobre a dieta e o ambiente contribui para preservar a saúde das poedeiras, a qualidade dos ovos e a rentabilidade da atividade.

A identificação precoce da redução no consumo, da queda na postura e do aumento de problemas de casca permite orientar os ajustes necessários durante os períodos de temperaturas elevadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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