Equídeos

Brasil e China iniciam intercâmbio tecnológico para produção de leite de jumenta

Universidades brasileiras e chinesas estreitam cooperação em pesquisa, biotecnologia e manejo produtivo de asininos, abrindo novas oportunidades para a cadeia produtiva.


Publicado em: 02/02/2026 às 09:00hs

Brasil e China iniciam intercâmbio tecnológico para produção de leite de jumenta
Cooperação bilateral fortalece asininocultura

Brasil e China avançam em uma parceria tecnológica voltada para a criação de asininos, com foco na produção de leite de jumentas e desenvolvimento da cadeia produtiva. O projeto envolve a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e o Departamento de Zootecnia e Tecnologia da Universidade de Agricultura da China, uma das mais antigas instituições agrícolas do país asiático, fundada em 1905.

O objetivo da iniciativa é ampliar o ensino, pesquisa e transferência de tecnologias entre os dois países, fortalecendo a criação de asininos tanto para leite quanto para carne.

Professores brasileiros apresentam pesquisas na China

Entre os dias 9 e 17 de janeiro, os professores Gustavo Ferrer Carneiro (UFRPE) e Jorge Lucena (UFAPE) ministraram palestras e visitas técnicas a fazendas e centros de pesquisa chineses. A visita ocorreu a convite do professor Sheming Zang, titular do Departamento de Zootecnia e Tecnologia da Universidade de Agricultura da China.

Durante a estadia, foram apresentados resultados de pesquisas brasileiras em reprodução equídea e manejo produtivo de leite de jumentas, destacando o potencial da asininocultura no Brasil e promovendo intercâmbio científico com estudantes e pesquisadores chineses.

Visitas a fazendas e centros de inovação

Os professores brasileiros visitaram duas fazendas dedicadas à cria, recria e engorda de asininos, além do Instituto Nacional de Inovação e Pesquisa da Cadeia Industrial dos Asininos e do Centro Nacional de Criação de Jumentos, reconhecidos por suas tecnologias avançadas em produção e pesquisa.

Segundo Lucena, líder de estudos sobre produção leiteira de asininos desde 2018, a experiência evidenciou o potencial comercial do leite de jumenta no Brasil, destacando que na China a cadeia produtiva do leite sustenta a produção de carne, fornecendo animais para abate, de forma semelhante ao sistema bovino brasileiro.

Intercâmbio tecnológico amplia eficiência e sustentabilidade

O professor Gustavo Ferrer Carneiro destacou que a cooperação internacional é essencial para introduzir tecnologias avançadas e práticas inovadoras, superando desafios reprodutivos e aumentando a eficiência da produção.

“O intercâmbio promove desenvolvimento econômico, conservação dos recursos e melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas”, afirma Carneiro.

Entre as tecnologias compartilhadas estão congelamento de sêmen, produção de embriões via ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) e técnicas de ordenha com produtividade de 50 a 500 litros por dia. O estudo comparativo indicou que o método brasileiro na Caatinga apresenta maior viabilidade financeira frente ao sistema chinês.

Próximos passos: visita chinesa ao Brasil

Em breve, o professor Sheming Zang visitará o Brasil para ministrar palestras nas universidades pernambucanas, compartilhando sua experiência em reprodução equídea e biotecnologias. A visita visa fortalecer a cooperação científica e ampliar o intercâmbio de tecnologias entre os dois países.

Avanços esperados para a produção de leite e carne de asininos

As universidades brasileiras possuem diversos projetos de pesquisa em andamento, incluindo biotecnologias avançadas e métodos de pasteurização do leite asinino que preservam suas propriedades farmacológicas.

Lucena reforça que as iniciativas demonstram o potencial do Brasil para expandir a asininocultura, com oportunidades de crescimento baseadas em tecnologias comprovadas e práticas de manejo eficientes.

“Acreditamos que o país está diante de uma oportunidade significativa para o desenvolvimento da cadeia produtiva de asininos, tanto para leite quanto para carne”, conclui o professor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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