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Caprinos e Ovinos

Inverno mais úmido no Rio Grande do Sul exige reforço no manejo de cordeiros durante a estação de nascimentos

Previsão de chuvas mais intensas e baixas temperaturas aumentam risco de mortalidade neonatal; Arco recomenda cuidados com nutrição das matrizes, proteção dos recém-nascidos e manejo pré-parto.


Publicado em: 13/07/2026 às 11:55hs

Inverno mais úmido no Rio Grande do Sul exige reforço no manejo de cordeiros durante a estação de nascimentos
Foto: Robispierre Giuliani

Os ovinocultores do Rio Grande do Sul devem intensificar os cuidados com o manejo de cordeiros durante os meses de julho, agosto e setembro, período de maior concentração de nascimentos nos rebanhos comerciais da região Sul do estado.

A previsão de um inverno mais úmido, associada ao aumento das chuvas influenciado pelo fenômeno El Niño e às temperaturas reduzidas típicas da estação, pode elevar os riscos de mortalidade de cordeiros recém-nascidos, especialmente nas primeiras horas de vida.

Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), o planejamento do manejo durante o período de parição será fundamental para reduzir perdas e garantir maior sobrevivência dos animais.

Exposição ao frio e falta de energia são principais riscos para cordeiros

O inspetor técnico da Arco, Frederico Rott, destaca que o principal desafio nesse período está relacionado ao chamado complexo exposição-inanição, considerado uma das principais causas de mortalidade de cordeiros logo após o nascimento.

De acordo com o especialista, o cordeiro enfrenta uma mudança brusca de ambiente ao nascer, passando de uma temperatura corporal próxima de 39°C dentro do útero materno para condições externas que podem se aproximar de zero grau ou até temperaturas negativas.

A presença de chuva agrava ainda mais o problema, pois aumenta a perda de calor corporal e reduz a capacidade do animal de se manter aquecido.

“Quando o cordeiro não consegue conservar a temperatura corporal, ele tem dificuldade para se levantar, encontrar o úbere da mãe e realizar a primeira mamada, momento essencial para receber o colostro e obter energia”, explica Rott.

Nutrição das matrizes influencia sobrevivência dos cordeiros

Um dos pontos mais importantes do manejo está relacionado à condição nutricional das ovelhas no terço final da gestação, fase de maior desenvolvimento fetal e maior exigência alimentar.

Matrizes com baixa reserva corporal podem gerar cordeiros com menor capacidade de enfrentar as adversidades climáticas após o nascimento.

O fornecimento adequado de nutrientes antes da parição contribui para que os cordeiros nasçam mais fortes, com melhores reservas energéticas e maior capacidade de regular a temperatura corporal.

Esquila pré-parto ajuda no desenvolvimento dos cordeiros

Entre as estratégias recomendadas pela Arco está a realização da esquila pré-parto, prática adotada durante o último terço da gestação.

Segundo Frederico Rott, a retirada da lã estimula o aumento do consumo alimentar das matrizes justamente no período em que as necessidades nutricionais são mais elevadas.

Como consequência, o cordeiro tende a nascer com melhor desenvolvimento e maior capacidade de adaptação ao ambiente.

Além disso, a esquila facilita o acesso do recém-nascido ao úbere, favorecendo a ingestão rápida do colostro, considerado essencial para a proteção imunológica e o fornecimento inicial de energia.

Limpeza do úbere também auxilia no manejo

Nos casos em que a esquila pré-parto não é realizada, a limpeza da lã na região do períneo e do úbere das ovelhas é outra medida recomendada.

O procedimento facilita a localização do teto pelo cordeiro durante a primeira mamada e contribui para manter a região mais limpa no período após o nascimento.

Ambientes protegidos reduzem perdas no inverno

Outro cuidado importante é oferecer locais protegidos para as parições, reduzindo a exposição dos cordeiros ao frio, vento e umidade.

Entre as alternativas indicadas estão:

  • Potreiros com áreas de abrigo natural, como bosques;
  • Galpões e estruturas cobertas;
  • Mangueiras protegidas;
  • Quebra-ventos improvisados com lonas ou materiais reutilizados.

Segundo Rott, reduzir a ação direta do vento é uma estratégia simples e eficiente para diminuir a velocidade da perda de calor corporal dos cordeiros.

“Quando conseguimos reduzir a exposição ao vento, aumentamos o tempo disponível para que o cordeiro consiga realizar a primeira mamada e superar o período mais crítico após o nascimento”, afirma.

Manejo preventivo é decisivo para reduzir mortalidade

Com a previsão de um inverno mais chuvoso no Rio Grande do Sul, a adoção antecipada de medidas de manejo pode fazer diferença nos índices produtivos dos rebanhos.

O acompanhamento nutricional das matrizes, a preparação dos ambientes de nascimento e a atenção nas primeiras horas de vida dos cordeiros são práticas fundamentais para aumentar a sobrevivência e melhorar os resultados da ovinocultura.

Para a Arco, ações simples de manejo realizadas antes e durante o período de parição podem reduzir significativamente as perdas e contribuir para uma produção de cordeiros mais eficiente e sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

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