Temporais no Rio Grande do Sul provocam perdas na pecuária leiteira e acendem alerta para apoio aos produtores
Gadolando relata morte de animais, destruição de estruturas e saída de produtores da atividade, enquanto defende políticas permanentes de apoio às famílias afetadas por eventos climáticos extremos.
Publicado em: 03/08/2026 às 11:45hs
Temporais consecutivos ampliam prejuízos da produção leiteira no Rio Grande do Sul
Os temporais registrados em sequência no Rio Grande do Sul agravaram a situação de produtores de leite e provocaram perdas significativas em propriedades rurais das regiões Celeiro, Missões, Selbach, Cruz Alta e municípios vizinhos. A avaliação é da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), que acompanha os impactos causados pelos eventos climáticos extremos sobre a cadeia leiteira gaúcha.
Segundo a entidade, em apenas duas semanas foram registrados dois episódios severos que resultaram na morte de animais, destruição de galpões, danos às instalações e comprometimento da capacidade produtiva de diversas propriedades.
Destruição de estruturas leva produtores a abandonar a atividade
Entre os casos monitorados pela Gadolando, há propriedades que tiveram galpões e instalações completamente destruídos pelos temporais, inviabilizando a continuidade da produção.
Um dos casos envolve um produtor que mantinha mais de 40 vacas em lactação e, após mais de quatro décadas dedicadas à atividade leiteira, optou por encerrar a produção diante dos elevados custos de reconstrução da estrutura.
O vice-presidente administrativo da Gadolando, Nacir Penz, destaca que a repetição dos eventos climáticos agravou ainda mais a situação das famílias rurais.
"Foram dois episódios em sequência, com produtores perdendo animais e estruturas. Em um dos casos, depois de mais de 40 anos na atividade, o produtor entendeu que não seria viável reconstruir tudo e decidiu encerrar a produção", relata.
Gadolando pede políticas permanentes para enfrentar desastres climáticos
Diante da recorrência dos eventos extremos no estado, a entidade defende a criação de mecanismos permanentes de apoio aos produtores rurais atingidos por desastres climáticos.
Segundo Penz, muitas famílias perdem, de forma repentina, toda a estrutura responsável pela geração de renda, mas continuam obrigadas a cumprir financiamentos, contratos e demais compromissos financeiros.
"O Rio Grande do Sul tem sido o epicentro de catástrofes climáticas, e precisamos de uma política de apoio para que essas pessoas consigam continuar na atividade. O ganha-pão foi afetado, mas os compromissos permanecem", afirma.
Renegociação de dívidas e fundo emergencial estão entre as propostas
Como medida imediata, a Gadolando defende que os produtores atingidos sejam incluídos nas renegociações de financiamentos rurais e demais obrigações bancárias já autorizadas para propriedades afetadas por eventos climáticos.
Além disso, a entidade propõe que o Governo Federal avalie a criação de um fundo permanente destinado ao apoio de produtores rurais que sofram perdas provocadas por fenômenos climáticos extremos.
A proposta prevê suporte financeiro para situações que envolvam morte de animais, destruição de instalações, perda de equipamentos e redução da capacidade produtiva das propriedades.
Mudanças climáticas elevam desafios da pecuária leiteira
A intensificação dos eventos climáticos extremos vem aumentando os riscos para a pecuária leiteira no Sul do Brasil, exigindo investimentos em resiliência, infraestrutura e instrumentos de proteção aos produtores.
Para a Gadolando, políticas públicas voltadas à recuperação das propriedades e à permanência das famílias no campo serão fundamentais para evitar o abandono da atividade e preservar a produção de leite, importante segmento do agronegócio gaúcho e brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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