Publicado em: 24/02/2026 às 10:40hs
O mercado leiteiro brasileiro iniciou 2026 em estabilidade, após um ano marcado por forte desvalorização. Segundo o Cepea, o preço do leite captado em dezembro de 2025 foi de R$ 1,9966 por litro na Média Brasil, representando queda de 5,78% em relação a novembro e retração de 25,79% frente a dezembro de 2024, já considerando a inflação medida pelo IPCA.
Com isso, o valor médio anual de R$ 2,5617/litro em 2025 ficou 6,8% abaixo do registrado em 2024. A desvalorização real acumulada no ano passado atingiu 25,8%, refletindo a pressão sobre a renda dos produtores e os desafios enfrentados pelo setor.
O levantamento do Cepea, realizado com apoio da OCB, mostra que os derivados do leite apresentaram queda nas cotações em janeiro, mas começaram a reagir no início de fevereiro.
No atacado de São Paulo, o leite UHT registrou recuo de 1,44% frente a dezembro, com o preço médio passando para R$ 3,31/litro. Já o queijo muçarela teve redução de 1,49%, com valor médio de R$ 28,35/kg. Apesar das baixas, os primeiros dias de fevereiro indicam leve recuperação, acompanhando o ajuste no mercado de oferta e demanda.
O início de 2026 foi marcado por desequilíbrio na balança comercial de lácteos. Dados da Secex, analisados pelo Cepea, apontam que as exportações brasileiras recuaram 16,75% entre dezembro/25 e janeiro/26, totalizando 4,30 milhões de litros em equivalente-leite (EqL).
Enquanto isso, as importações aumentaram 7,94%, atingindo 178,53 milhões de litros EqL. Na comparação anual, tanto as vendas externas quanto as compras apresentaram queda — 11,43% e 14,32%, respectivamente. O cenário reflete o enfraquecimento da competitividade do produto nacional diante do aumento dos custos e da valorização cambial.
Os custos de produção da pecuária leiteira subiram em janeiro de 2026, pressionando ainda mais a rentabilidade dos produtores. O aumento nas despesas, aliado à queda nos preços da matéria-prima, tem reduzido as margens e limitado a capacidade de investimento no campo.
Esse cenário exige maior eficiência na gestão e atenção às estratégias de produção, especialmente diante das incertezas quanto à recuperação da renda do produtor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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