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Preço do leite ao produtor estabiliza em maio após sequência de altas, aponta Cepea

Mesmo com leve recuo mensal, mercado mantém diferenças regionais e segue influenciado por custos elevados, clima e dinâmica entre oferta e demanda no Brasil


Publicado em: 03/07/2026 às 10:10hs

Preço do leite ao produtor estabiliza em maio após sequência de altas, aponta Cepea

Após sucessivas altas ao longo dos últimos meses, o preço do leite pago ao produtor apresentou estabilidade em maio de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Na “Média Brasil”, o valor fechou em R$ 2,6617 por litro, registrando leve queda de 0,45% em relação a abril e recuo de 3,8% na comparação com maio de 2025, já descontada a inflação.

O comportamento do mercado reflete um cenário de ajustes regionais na oferta de leite cru, custos ainda elevados de produção e variações climáticas que impactam diretamente a produtividade nas principais bacias leiteiras do país.

Dinâmica regional mostra comportamento desigual no mercado

De acordo com o Cepea, o desempenho dos preços variou entre as regiões produtoras em maio. Enquanto Sudeste e Centro-Oeste registraram manutenção de preços em patamares mais elevados, o Sul do Brasil apresentou pressão de baixa.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a produção mais restrita, influenciada pela sazonalidade e pela redução de investimentos após margens apertadas em 2025, manteve a disputa entre laticínios pela aquisição de leite cru, sustentando os preços pagos ao produtor.

Já na região Sul, o clima favorável e a recuperação das pastagens de inverno contribuíram para o aumento da produção, o que elevou a oferta de leite e pressionou as cotações na região.

O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) apresentou leve alta de 0,07% entre abril e maio na média nacional, mas acumula queda de 13,7% no ano, indicando menor disponibilidade de matéria-prima em parte das bacias leiteiras.

Custos de produção recuam, mas seguem em patamar elevado

A pesquisa do Cepea aponta que o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira registrou a primeira queda de 2026 em maio, com recuo de 1,39% na média nacional.

Apesar da redução mensal, o indicador ainda acumula alta de 1,80% no ano, refletindo a pressão de custos com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas, que seguem entre os principais componentes de despesa da atividade leiteira.

O comportamento dos custos segue como um dos principais fatores de atenção para o produtor rural, especialmente em um cenário de margens ainda ajustadas em diversas regiões do país.

Derivados lácteos apresentam comportamento misto

No mercado de derivados, os preços também mostraram variações distintas em maio, segundo levantamento do Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

O leite UHT registrou queda de 7,56% em relação a abril, indicando maior pressão de oferta no varejo e no atacado. Já a muçarela apresentou leve alta de 0,12%, enquanto o leite em pó permaneceu praticamente estável, com variação positiva de 0,13% no mesmo período.

Na primeira quinzena de junho, o mercado segue com tendência de enfraquecimento nos preços dos derivados, indicando continuidade da pressão sobre a cadeia industrial de lácteos.

Comércio exterior tem alta nas importações e avanço nas exportações

O comércio internacional de lácteos também registrou movimentações relevantes em maio. As importações brasileiras somaram 226,21 milhões de litros equivalentes-leite (EqL), alta de 3,58% em relação a abril e crescimento de 28% frente a maio de 2025.

Já as exportações avançaram 45,33% na comparação mensal, totalizando 5,81 milhões de litros EqL. No entanto, em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 21,42% no volume exportado, indicando volatilidade no desempenho externo do setor.

Expectativa é de cenário regionalizado no curto prazo

Para junho, a expectativa do Cepea é de manutenção de comportamentos distintos entre as principais bacias leiteiras do país. A tendência é de continuidade da pressão de baixa no Sul, enquanto Sudeste e Centro-Oeste podem manter viés de estabilidade com possibilidade de leve alta, dependendo da dinâmica entre oferta e demanda e do comportamento dos custos de produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

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