Bovinos Leite

Frísia monitora 23,5 mil vacas com inteligência artificial e aumenta produtividade leiteira

Projeto Monitore usa tecnologia para acompanhar saúde, reprodução, nutrição e bem-estar animal em propriedades do Paraná


Publicado em: 11/02/2026 às 14:30hs

Frísia monitora 23,5 mil vacas com inteligência artificial e aumenta produtividade leiteira
Foto: vacas_frisia_Cowmed
Projeto Monitore integra IA à produção leiteira

A Frísia Cooperativa Agroindustrial acompanha atualmente 23,5 mil vacas leiteiras por meio de inteligência artificial (IA). Os animais estão distribuídos em 109 propriedades do Paraná e fazem parte do Projeto Monitore, iniciativa voltada ao acompanhamento contínuo da saúde, reprodução, nutrição e conforto térmico do rebanho.

As propriedades participantes representam mais de 50% dos produtores de leite da cooperativa e cerca de 68% do volume diário entregue à indústria, consolidando o programa como um dos maiores projetos de tecnologia embarcada em bovinos do país.

Como funciona o monitoramento inteligente

O sistema utiliza colares eletrônicos instalados em vacas das raças Holandesa e Jersey, abrangendo:

  • Vacas em lactação;
  • Vacas no período seco;
  • Novilhas com 30 dias pré-parto.

Essas categorias são consideradas mais sensíveis em termos de saúde e reprodução. O projeto também faz parte do programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo Eduardo Ichikawa, gerente executivo de Pecuária da Frísia, a implantação da tecnologia foi construída junto aos cooperados pelo Comitê Pecuário.

“O foco é termos, junto com os produtores, mais saúde e mais produção das vacas. O monitoramento permite agir antes que o problema se agrave”, afirma Ichikawa.

O projeto não faz distinção entre propriedades grandes ou pequenas. “Independentemente do tamanho da produção, o importante é estar no projeto”, reforça o executivo.

Investimento compartilhado entre cooperativa e produtores

Para viabilizar o Projeto Monitore, a Frísia subsidiou parte da infraestrutura necessária, incluindo antenas e instalação nas propriedades. Os produtores, por sua vez, pagam uma mensalidade por animal monitorado, equivalente a aproximadamente um terço do valor de mercado da tecnologia.

Detecção precoce de problemas de saúde e reprodução

Os colares eletrônicos funcionam como dispositivos de monitoramento contínuo do comportamento das vacas, registrando dados como:

  • Movimentação e ruminação;
  • Frequência e tempo de consumo alimentar;
  • Tempo de descanso;
  • Padrões de ofegação;
  • Outros indicadores de bem-estar.

As informações são enviadas para antenas nas propriedades e processadas em plataforma digital acessível por celular para produtores e equipe técnica.

De acordo com Anderson Radavelli, supervisor de Zootecnia da Frísia, os primeiros resultados mais notáveis foram em reprodução e saúde animal:

“A detecção de cio foi um dos principais ganhos iniciais, pois antes dependíamos da observação visual. Agora, o produtor recebe o alerta no momento certo para a inseminação.”

O sistema também identifica alterações sutis no comportamento que podem indicar início de doenças, permitindo tratamentos precoces e redução do uso de medicamentos.

Resultados expressivos na taxa de prenhez

O monitoramento também tem impactado positivamente a reprodução. Algumas propriedades cooperadas já registram taxas de prenhez acima de 35%, nível considerado elevado frente à média nacional, que varia entre 18% e 24%.

Controle do estresse térmico e bem-estar animal

Além de saúde e reprodução, os colares monitoram o estresse por calor, registrando o tempo de ofegação e períodos em que a vaca permanece em pé. Com esses dados, é possível ajustar ventilação, sombra e manejo, preservando o bem-estar e evitando perdas de produção.

Dados de ruminação e tempo no cocho também indicam consumo alimentar. Qualquer redução na ingestão gera alerta imediato, permitindo ajustes na dieta e manejo.

Tecnologia nacional com precisão elevada

A tecnologia é desenvolvida pela empresa brasileira Cowmed, cujo vice-presidente e cofundador, Leonardo Guedes da Luz Martins, compara os colares a um “smartwatch da vaca”:

“O dispositivo acompanha o animal 24 horas por dia, registrando comportamento em alta frequência. É como se o produtor tivesse alguém observando cada vaca o tempo todo.”

Cada colar realiza 25 amostragens por segundo, e os algoritmos geram alertas automáticos de:

  • Saúde;
  • Cio;
  • Alterações nutricionais;
  • Sinais de estresse ou desconforto.

Segundo Martins, a precisão dos alertas de saúde pode chegar a mais de 95%, garantindo segurança e confiabilidade ao produtor.

Além disso, o projeto permite transparência e comunicação com o mercado, mostrando ao consumidor que a cooperativa investe em desenvolvimento, eficiência e bem-estar animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

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