Fazenda Bela Vista supera 100 mil litros de leite por dia com avanços na reprodução do rebanho
Produção mais que dobrou em oito anos, sem compra de animais para expansão; gestão reprodutiva ajudou a reduzir intervalo entre partos e antecipar a entrada de novilhas em lactação
Publicado em: 19/10/2026 às 07:30hs
A Fazenda Bela Vista ampliou a produção de aproximadamente 47 mil para 102 mil litros de leite por dia em oito anos, em uma trajetória apoiada na organização do manejo, no acompanhamento de indicadores e na melhoria da eficiência reprodutiva. Segundo os dados apresentados pela propriedade e pela GlobalGen, o crescimento ocorreu sem a compra de animais para expandir o rebanho.
Entre 2018 e 2026, o número de vacas em lactação passou de 1.700 para 2.750. A média individual informada também avançou, de 28 para 42 quilos de leite por vaca ao dia, aumento de 50%.
A evolução levou a propriedade à liderança nacional no ranking MilkPoint/Abraleite em 2026, conforme as informações divulgadas. Os números mostram como a reprodução, integrada à gestão da fazenda, pode contribuir para ampliar a produção e a disponibilidade de animais de reposição.
Diagnóstico inicial mostrou espaço para melhorar a reprodução
O trabalho começou em 2018, quando o médico-veterinário Tiago Carneiro assumiu a responsabilidade técnica da fazenda.
Naquele momento, o intervalo entre partos era de 17 meses. As vacas apresentavam taxa de serviço próxima de 40% e taxa de concepção de 25%, combinação que resultava em taxa de prenhez de aproximadamente 10%.
Entre as novilhas, as taxas de serviço e concepção estavam próximas de 45%, com prenhez ao redor de 20%. A idade ao primeiro parto chegava a 28 meses.
A partir desse diagnóstico, a propriedade estruturou processos para aumentar a regularidade das inseminações e melhorar os resultados de fertilidade.
O trabalho contou com apoio de Carlos Eduardo Cardoso Consentini, gerente técnico da GlobalGen, cuja atuação em pesquisa e reprodução de bovinos leiteiros contribuiu para a aplicação das estratégias no campo.
Rotina semanal e IATF ampliaram a taxa de serviço
Uma das primeiras mudanças foi estabelecer uma rotina semanal de manejo reprodutivo, com acompanhamento sistemático dos animais.
A fazenda passou a utilizar inseminação artificial em tempo fixo (IATF) em todo o primeiro serviço pós-parto. O processo foi associado ao diagnóstico de gestação e à ressincronização das vacas não gestantes para uma nova inseminação.
A taxa de serviço ultrapassou 50% em 2019 e permaneceu próxima de 54% até 2023.
Em 2024, a propriedade incorporou a ressincronização precoce, na qual o protocolo começa antes do diagnóstico de gestação. Conforme os responsáveis pelo trabalho, a estratégia permite reduzir em sete dias o intervalo entre inseminações.
Com essa mudança e outros ajustes operacionais, a taxa de serviço chegou aos atuais 62%.
Concepção no primeiro serviço alcança 55% nas primíparas
Além de ampliar a proporção de animais inseminados, a equipe direcionou esforços para melhorar a fertilidade no primeiro serviço após o parto.
No início do trabalho, a taxa de concepção nessa etapa era de 30% nas primíparas, animais de primeira cria, e de 24% nas multíparas, com duas ou mais crias.
A partir de 2022, a fazenda adotou o programa Duplo E-Synch, desenvolvido por Consentini em suas pesquisas, com colaboração de Carneiro nos estudos de campo e posteriormente incorporado às estratégias da GlobalGen.
O programa utiliza etapas de pré-sincronização antes da IATF para favorecer a resposta reprodutiva.
Em 2025 e 2026, os resultados informados chegaram a 55% de concepção no primeiro serviço nas primíparas e 42% nas multíparas.
A melhoria dos indicadores contribuiu para reduzir o intervalo entre partos de 17 para 13 meses entre 2018 e 2026.
Novilhas passam a ter primeiro parto aos 22 meses
O manejo das fêmeas jovens também foi reorganizado. Entre 2022 e 2023, bezerras e novilhas passaram a ser criadas e recriadas em sistema confinado.
Paralelamente, a equipe estruturou uma rotina semanal com IATF no primeiro serviço, detecção de cio de retorno e ressincronizações.
Em 2026, a taxa de serviço das novilhas alcançou 75%. A concepção na primeira IATF passou de 52% para 64%, mesmo com a utilização de sêmen sexado nessa etapa.
Considerando todos os serviços, a taxa geral de concepção informada é de 50%. Combinada à taxa de serviço de 75%, resulta em prenhez próxima de 38%.
Nesse período, a idade ao primeiro parto caiu de 28 para aproximadamente 22 meses, antecipando a entrada das novilhas na fase produtiva.
Eficiência reprodutiva apoiou crescimento sem compra de animais
A redução do intervalo entre partos e a antecipação do primeiro parto ajudaram a sustentar a expansão do rebanho com animais da própria fazenda.
O número de vacas em lactação cresceu em 1.050 cabeças ao longo dos oito anos. Ao mesmo tempo, a propriedade registrou aumento da produção individual e mais que dobrou o volume diário de leite.
Os responsáveis pelo projeto atribuem parte importante dessa evolução à eficiência reprodutiva, dentro de um processo que também envolveu mudanças de manejo e organização operacional.
Para Tiago Carneiro, a reprodução precisa integrar a estratégia do negócio, com processos definidos e metas acompanhadas continuamente.
Na avaliação de Consentini, a experiência demonstra o valor da aproximação entre pesquisa, indústria e campo. O acompanhamento dos indicadores permite identificar limitações, ajustar rotinas e avaliar se as estratégias adotadas estão contribuindo para o crescimento da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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