Publicado em: 02/06/2026 às 10:30hs
Os custos da produção de leite no Rio Grande do Sul registraram nova alta em abril de 2026, impulsionados principalmente pelo aumento dos preços dos fertilizantes, da energia elétrica e dos combustíveis. O movimento elevou em 2,69% o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC), indicador elaborado pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul para monitorar a evolução dos principais custos da atividade leiteira.
Segundo o levantamento, os reflexos das tensões geopolíticas no Oriente Médio continuaram impactando os mercados globais de energia e fertilizantes, aumentando a pressão sobre os custos das propriedades rurais.
O grupo dos fertilizantes foi o principal responsável pela elevação do índice no mês, com alta de 12,8%. A ureia voltou a registrar valorização expressiva devido às dificuldades logísticas associadas ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de fertilizantes nitrogenados no mundo.
Além disso, a cotação internacional do petróleo avançou 4,4% em relação ao mês anterior, refletindo diretamente nos combustíveis, que apresentaram reajuste médio de 2,3%.
Outro fator que contribuiu para o aumento dos custos foi a energia elétrica, que registrou elevação de 30,6%, influenciada por mudanças nos horários de consumo e pela incidência de tarifas mais elevadas em determinados períodos.
No segmento de grãos, utilizado na alimentação do rebanho leiteiro, o cenário foi mais equilibrado. O milho registrou leve valorização de 0,3%, enquanto a soja apresentou recuo de 1,0%, contribuindo para limitar parte da pressão inflacionária sobre os custos de produção.
Apesar disso, o comportamento dos demais insumos foi suficiente para levar o ILC ao maior avanço mensal observado em 2026 até o momento.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru registra inflação de 1,06%, sinalizando uma mudança na trajetória recente dos custos da atividade.
O resultado acompanha a retomada da inflação ao produtor observada em outros indicadores econômicos, reforçando a necessidade de atenção dos produtores à gestão financeira e operacional das propriedades.
Embora alguns componentes importantes da estrutura de custos tenham apresentado redução nos últimos 12 meses, a rentabilidade do produtor segue pressionada.
Na comparação anual, o ILC acumula queda de 4,7%, favorecido principalmente pela redução dos custos com silagem (-15,8%) e concentrados (-10,5%). Em contrapartida, fertilizantes (+30,0%), energia elétrica (+30,8%) e combustíveis (+6,9%) continuam registrando aumentos significativos.
O principal desafio para o setor, entretanto, está na queda do preço recebido pelo produtor. De acordo com a análise da Farsul, o valor pago pelo leite recuou aproximadamente 10% nos últimos 12 meses, movimento que supera o alívio proporcionado pela redução parcial dos custos.
Essa combinação tem provocado compressão das margens operacionais e piora das relações de troca nas propriedades leiteiras, reduzindo a capacidade de investimento e comprometendo a rentabilidade da atividade.
Para maio, a expectativa é de inflação moderada nos custos da produção leiteira. A recente estabilidade dos combustíveis e a valorização do real frente ao dólar tendem a limitar parte das pressões de curto prazo.
No entanto, o mercado segue atento ao comportamento dos fertilizantes, especialmente dos nitrogenados, cuja oferta global permanece sensível aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
Outro fator de atenção é o milho, que voltou a apresentar valorização nos mercados domésticos e pode elevar os custos de alimentação animal nos próximos meses.
Diante desse cenário, produtores devem manter o monitoramento dos custos e reforçar estratégias de eficiência produtiva para preservar a competitividade e a sustentabilidade econômica da atividade leiteira.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias